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Jean-Claude Juncker Comissão Europeia Estados Unidos Donald Trump

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"Teremos que ser estúpidos" como os EUA, diz Juncker sobre tarifas americanas às importações de aço e alumínio

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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, prometeu medidas de retaliação à decisão americana de taxar as importações de aço e alumínio. REUTERS/Dado Ruvic

A União Europeia prepara medidas de retaliação contra empresas americanas, após o anúncio do presidente Donald Trump, de determinar altas tarifas às importações de aço e alumínio para os Estados Unidos. Classificando a decisão como "estúpida", na sexta-feira (2), o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, prometeu responder na mesma moeda.


"Então agora nós também vamos impor tarifas. Esse é basicamente um processo estúpido, o fato de termos que fazer isso. Mas temos que fazer. Vamos agora impor tarifas para as motocicletas Harley Davidson, para os jeans da Levi's, para o bourbon americano. Também podemos fazer coisas estúpidas. Também temos que ser assim estúpidos", declarou Juncker. 

A reação de Juncker é mais uma entre tantas as indignações de líderes e representantes do comércio internacional, depois do anúncio, na quinta-feira (1°), da intenção dos Estados Unidos de taxar as importações de aço em 25% e de alumínio em 10%. Segundo Trump, a medida serviria para proteger a indústria siderúrgica americana. 

O presidente da Comissão Europeia já havia declarado na sexta-feira que os países do bloco não ficariam de "braços cruzados, enquanto a indústria e os empregos europeus são ameaçados". Segundo ele, "a Europa precisa de uma política comercial para se defender".

Guerra comercial está prestes a explodir

Os Estados Unidos é o país que mais importa aço no mundo e adquire 30 milhões de toneladas do produto de várias nações. Apenas Canadá, Brasil, México e Coreia do Sul respondem por 50% destas importações. 

Se a decisão de Trump for efetivada, analistas preveem que uma guerra comercial pode explodir, suscitando reações em cadeira por parte de parceiros comerciais dos americanos. O presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, se diz “claramente preocupado” com os projetos de Washington.  

O Canadá, maior exportador de aço para os EUA, está furioso: os dois países estão ligados por um acordo de livre comércio que proíbe esse tipo de medida protecionista, o Nafta, do qual também também faz parte o México. O Brasil, segundo maior exportador, com 13% do valor total comprado pelos americanos, indicou que não descarta adotar “ações complementares, no âmbito multilateral e bilateral, para preservar seus interesses”.

Tentando acalmar os ânimos, o vice-presidente da Comissão Europeia, Jyrki Katainen, afirmou que ainda há uma "pequena possibilidade" de se evitar uma guerra comercial com os Estados Unidos. Ele revelou que as medidas de retaliação europeias, já "preparadas há algum tempo", estão alinhadas com as regras da OMC e compensariam as potenciais perdas da indústria europeia, segunda produtora mundial de aço, atrás apenas da China.

Medida pode entrar em vigor na próxima semana 

O governo americano pretende começar a aplicar as tarifas às importações de aço e alumínio a partir da semana que vem. Trump tentou minimizar a onda global de rechaço na sexta-feira. No Twitter, ele publicou que  "guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar". 

"Muito barulho por nada", opinou o secretário americano de Comércio, Wildbur Ross, em um programa de televisão, enquanto as bolsas do mundo inteiro caíam e ameaças de represálias comerciais dominavam os noticiários em todo o mundo.

Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), as decisões de Washington poderão prejudicar os Estados Unidos "não apenas fora do país, mas também a própria economia americana". Tentando proteger o setor da siderurgia, a medida anunciada por Trump pode resultar no aumento de preços nos setores da construção civil, automotivo e de infraestruturas, que precisam do aço e do alumínio.

“Isso terá efeitos em cadeia, porque haverá destruição de empregos em outros setores quando os produtos americanos ficarem mais caros interna e externamente, para a exportação de máquinas e equipamentos”, disse à RFI o diplomata Paulo Roberto de Almeida, diretor do Instituto de Pesquisa em Relações Internacionais (Ipri), do Itamaraty, e professor de economia política do Uniceub (Centro Universitário de Brasília).