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Itália: partidos antissistema ganham força, mas país continua sem governo

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Eleitores votam nas legislativas italianas, que ocorrerma REUTERS/Max Rossi

As eleições legislativas na Itália foram marcadas pela vitória de forças políticas antissistema e de extrema-direita, mergulhando o país em um período de incerteza política.


Rafael Belicanta, correspondente da RFI em Roma

“Pela primeira vez na Europa, as forças antissistemas venceram o pleito”, resume o editorialista do jornal italiano La Stampa. Os primeiros resultados oficiais indicam que o Movimento 5 Estrelas é o partido mais votado. A coalizão de direita e extrema-direita, da qual faz parte Berlusconi no Parlamento, soma mais votos. A coalizão de centro-esquerda do ex-premiê Matteo Renzi ficou abaixo dos 20%, em uma clara mensagem de descontentamento dos eleitores com o atual governo, o marasmo econômico e as tensões envolvendo os imigrantes.

O resultado segue a tendência dos últimos eventos marcantes da política mundial, como o voto a favor do Brexit (a saída do Reino Unido da UE), a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e o crescimento da extrema-direita na Europa. Na Itália, a grande questão agora é como formar um governo com forças políticas tão diferentes. “É um verdadeiro resultado nacional contra a política de Berlusconi e Matteo Renzi”, diz o cientista político Giuseppe Bettoni, da Universidade de Roma. Entrevistado pela RFI, ele lembrou que o movimento 5 Estrelas, o grande vencedor, não é anti-europeu.

Menor participação desde 1948

A participação nas eleições italianas ficou em 72,9%, a menor desde 1948. Porém, até agora, enquanto os votos ainda estão sendo apurados, nenhum partido ou coalizão obteve a maioria necessária de 40% no Parlamento. Portanto, nenhuma força política poderá formar o novo executivo.

O triunfo do Movimento 5 Estrelas como primeiro partido vem sobretudo dos votos do sul da Itália, onde está obtendo margens de mais de 40%. Os votos devem assegurar ao Movimento o segundo maior número de cadeiras no Parlamento. Contudo, a coalizão de direita é a força política mais votada. Liderada pela Liga que, principalmente com os votos do norte, ultrapassou o partido de Berlusconi, ao que tudo indica, a direita será maioria na Câmara e no Senado.

Caberá ao presidente da República, Sergio Mattarella, unificar essa clara divisão entre os votos do sul e do norte. A partir dessa segunda-feira têm início as consultas: os partidos vencedores nas eleições vão ao Palácio do Quirinal para apresentar suas propostas de governo ao presidente. Não há prazo para que um novo governo seja formado.

No entanto, em 23 de março acontece a primeira sessão do novo Parlamento, em que serão eleitos os presidentes da Câmara e do Senado. A partir desse dia, os italianos poderão esperar que as forças políticas antagonistas cheguem a um consenso ou que um governo técnico de “união nacional” seja formado. Tudo é possível na política italiana.