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Espanha Greve Feminismo paralisação

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Espanha faz sua primeira greve geral feminista da história

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Manifestantes mantêm luvas enquanto participam de uma greve pelos direitos das mulheres em Portugalete, Espanha, 8 de março de 2018, no Dia Internacional da Mulher. REUTERS/Vincent West

Os principais movimentos sindicais e sociais na Espanha organizam nesta quinta-feira (8) a primeira greve geral feminista do país, em defesa dos direitos das mulheres. Segundo dados do Eurostat, instituto de estatística da Comissão Europeia, as espanholas ganham em média 14,9% a menos do que os homens para realizar o mesmo trabalho.


Apesar de a Espanha estar em uma posição melhor do que a média europeia (a desigualdade salarial no bloco é de 16,3%) e de ter registrado uma grande evolução nos últimos 20 anos, ainda falta muito para se chegar a uma situação de equilíbrio. O salário médio das espanholas é, de maneira geral, 23% mais baixo.

“Ainda temos muito o que fazer. As mulheres ganham aposentadorias menores, têm empregos mais precários, realizam o essencial das tarefas domésticas e ainda são questionadas quando prestam queixa por estupro. Mais de mil foram assassinadas em 14 anos”, explicou Ruth Caravantes, porta-voz da comissão 8M, que reúne diferentes movimentos feministas, em entrevista ao jornal Le Monde.

Segundo uma pesquisa realizada pelo jornal El Pais, 82% dos espanhois estimam que a greve é justificada. “É preciso transformar nossa sociedade e esta nossa greve é uma maneira de chamar a atenção do nosso vizinho, colega, chefe, ou do governo”, declarou. Alguns grupos feministas também pediram às mulheres que renunciem às tarefas domésticas hoje.

Governo decepciona  manifestantes

Os sindicatos minoritários CNT e CGT, os partidos Esquerda Unida (IU) e Podemos estão apoiando a paralisação que envolve trabalhadoras e estudantes, mas também cientistas, universitárias, jornalistas e artistas. Em solidariedade ao movimento, a atriz Penélope Cruz anunciou que cancelaria alguns de seus compromissos e que deixaria seus dois filhos com o pai, o ator Javier Bardem.

Já a reação do governo foi decepcionante para as manifestantes. Duas das cinco mulheres do governo de Mariano Rajoy declararam que a greve deveria ser “silenciosa”. O chefe de governo espanhol preferiu não dar declarações sobre a paralisação, mas aceitou receber um coletivo de camareiras, que se queixam dos empregos cada vez mais precários e mal pagos. Cerca de cem manifestações devem ser organizadas durante o dia na capital espanhola. A maior delas acontece às 19h pelo horário local.

Perturbação no transporte

A greve geral também deve gerar perturbações no transporte ferroviário, segundo a companhia nacional Renfe. Nos trajetos nas regiões metropolitanas, 200 dos 568 trens não vão circular, assim como 75% dos trens que fazem longos trajetos.