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Ong alemã é acusada de xenofobia por se recusar a distribuir comida a imigrantes

Uma polêmica envolvendo refugiados e distribuição de comida aos desfavorecidos gera discussão sobre xenofobia na Alemanha. O debate começou depois que um banco de alimentos da cidade de Essen, no oeste do país, começou a recusar estrangeiros, alegando que o número de imigrantes beneficiados pelo serviço subiu demais em relação aos beneficiários alemães.

Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

O debate tem tudo a ver com a crise migratória de 2015, quando a Alemanha recebeu um número recorde de quase 900 mil de refugiados. O problema agora está sendo causado, em grande parte, por aqueles imigrantes que receberam há pouco tempo permissão de residência na Alemanha. 

Eles saíram dos abrigos dos refugiados, onde moravam antes, e passaram a receber ajuda social do governo. O montante é pouco e faz com que os imigrantes tenham necessidade de recorrer a esses bancos de alimentos. 

A proporção de estrangeiros atendidos pela Ong filantrópica Tafel, que era antes de cerca um terço, teria pulado para 75%. Além disso, os beneficiários alemães - principalmente aposentados e mulheres -, começaram a se sentir intimidados, dizendo que os estrangeiros - em maioria homens jovens - causam tumulto na hora da distribuição da comida. Também reclamaram que os jovens imigrantes têm comportamento agressivo e faltam com respeito às mulheres.

A decisão de suspender a inscrição de beneficiários estrangeiros da Tafel de Essen causou protestos de entidades de defesa dos direitos humanos. Muitos acusam a ONG de xenofobia. As paredes da entidade e veículos da instituição apareceram pichados com xingamentos, chamando a entidade de nazista. 

Decisão tem caráter provisório

Já houve reuniões internas da organização para discutir e reavaliar a medida, determinada em janeiro, mas até agora o veto a novos beneficiários estrangeiros do banco de alimentos de Essen continua, embora a instituição garanta que em caráter provisório. 

A Tafel ("mesa", em alemão), é uma Ong que distribui à população carente alimentos doados por supermercados. Essa instituição filantrópica tem sede em centenas de outras cidades alemãs, onde o serviço continua a ser garantido a todos, não só aos alemães.

A entidade não tem relação com o governo alemão, que, aliás, criticou a medida. A chanceler Angela Merkel lamentou a decisão da filial da organização de Essen de condicionar a distribuição de alimentos a necessitados à nacionalidade dos beneficiários.

A crítica da chanceler insuflou o debate a nível nacional, mas não levou o banco de alimentos a mudar sua decisão. Também fez com que a líder alemã amargasse um outro revés de popularidade, depois de ter saído enfraquecida da eleição parlamentar de setembro passado. 

Alemães apoiam decisão da Ong de Essen

Uma sondagem revelou que 57,6% dos alemães aprovam a decisão do banco de alimentos de Essen de não aceitar novas inscrições de imigrantes. E mais da metade dos entrevistados, 52,5%, não estão de acordo com a crítica da chanceler à organização filantrópica. 

O partido de extrema-direita da Alemanha, AfD, em ascensão nos últimos tempos, também aproveitou o debate para tentar angariar mais popularidade, elogiando a iniciativa da organização e até oferecendo doação de mantimentos a um banco de alimentos do estado da Baviera - oferta que foi rejeitada.

Enquanto isso, a mídia continua debatendo o problema. Alguns se perguntam se a questão poderia ser resolvida caso o governo alemão aumentasse o valor da ajuda social. Para parte da opinião pública, o montante não seria suficiente, o que estaria levando os mais desfavorecidos a recorrerem à distribuição de alimentos. 
 

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