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Reino Unido anuncia expulsão de 23 diplomatas russos e congela contatos com Moscou

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A primeira-ministra britânica, Theresa May, no Parlamento britânico nesta quarta-feira (14). Reuters

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta quarta-feira (14) uma série de sanções contra a Rússia, entre elas, a expulsão de 23 diplomatas russos do Reino Unido e a suspensão dos contatos bilaterais com Moscou. As medidas são uma resposta ao envenenamento de um ex-espião russo e sua filha no dia 4 de março em solo inglês, cuja responsabilidade Londres atribui ao governo russo.


"A Rússia é culpada pelo atentado com uma arma química", afirmou May nesta quarta-feira no Parlamento britânico, depois de concluído o ultimato que a premiê deu a Moscou para se explicar sobre o ataque. Essa foi a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que uma substância neurotóxica foi utilizada em um ataque na Europa.

Lamentando que Putin tenha escolhido agir dessa maneira, May também comunicou que nenhum ministro ou representante da família real britânica comparecerá ao Mundial de Futebol da Rússia-2018. Além disso, a líder revogou o convite feito ao ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, para visitar o Reino Unido. Segundo ela, Moscou fez um "uso ilegal da força" e reagiu de maneira "trágica" se negando a dar explicações sobre o caso.

May anuncia as sanções exatos dez dias após o envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal, de 66 anos, e sua filha, Yulia, de 33 anos. Um agente neurotóxico militar de fabricação russa foi utilizado no ataque em Salisbury, no sudoeste da Inglaterra, no último 4 de março. Ambos seguem internados em estado grave.

A escalada de tensões entre os dois países é registrada a alguns dias da eleição presidencial na Rússia, da qual Putin é o grande favorito.

Para a Rússia, medidas são inaceitáveis

Para a embaixada russa em Londres, a decisão de expulsar 23 diplomatas é "hostil, inaceitável e injustificável". "Toda a responsabilidade da degradação das relações entre a Rússia e o Reino Unido é da política britânica", diz em comunicado.

Em Moscou, o vice-presidente da comissão das Relações Estrangeiras da Alta Câmara do Parlamento russo, Vladimir Djabarov, declarou que a Rússia não exclui a possibilidade de expulsar 23 diplomatas britânicos do solo russo. A mesma possibilidade foi evocada pelo embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko.

Na manhã desta quarta-feira, o Kremlin já havia declarado, mais uma vez, ser inocente, sublinhando que "não admite acusações sem provas" e rejeitando o ultimato de Londres. "A Rússia não tem nenhuma relação com o que aconteceu no Reino Unido", afirmou o porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov.

Reunião de emergência no Conselho de Segurança

A chefe do governo britânico pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão. Ela será realizada nesta quarta-feira, às 19 horas de Londres, 16 horas pelo horário de Brasília.

A França, Alemanha, União Europeia e os Estados Unidos - principais aliados do Reino Unido - expressaram seu apoio ao governo britânico. Já a Otan pressiona a Rússia a responder as perguntas feitas por Londres e denunciou nesta quarta-feira o envenenamento de Skripal e sua filha como "uma violação flagrante das normas e acordos internacionais".