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Reino Unido cria centro de prevenção a ataques químicos após envenenamento de ex-espião russo

Por RFI

O governo do Reino Unido anuncia, nesta quinta-feira (15), planos para a construção de um novo centro de defesa contra armas químicas no país. Segundo as autoridades britânicas, a instalação, no valor de quase R$ 220 milhões, vai prevenir a ameaça representada por nações como a Rússia e a Coreia do Norte.

Malu Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

O anúncio do governo britânico ocorre em meio à crise deflagrada pela tentativa de assassinato do ex-agente secreto russo Serguei Skripal, e sua filha, Yulia, com uma substância neurotóxica desenvolvida na antiga União Soviética. A Rússia nega qualquer envolvimento, mas Londres adotou medidas de retaliação e recebeu o apoio de seus principais aliados, inclusive dos Estados Unidos.

A nova instalação deverá ser anexada ao Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa, que foi responsável pela identificação da substância neurotóxica Novichok, usada no envenenamento do ex-agente e sua filha dele. Coincidentemente, esse laboratório militar fica no condado de Wilshire, onde Skripal morava e onde sofreu o atentado. O Reino Unido é signatário da convenção internacional que proíbe o uso de armas químicas e não poderia desenvolver substâncias neurotóxicas, mas pode trabalhar na criação de antídotos e vacinas.

O Ministério da Defesa britânico também deve anunciar que, como medida de precaução, milhares de soldados serão vacinados contra o antraz, uma doença bacteriana que pode ser provocada por ataques com armas biológicas. Mas apesar de o governo britânico se ver no meio de uma crise militar, criticado pela lentidão para identificar e conter a substância usada no ataque contra Skripal, as novas medidas de defesa não serão necessariamente bem recebidas. Há uma forte oposição de membros do próprio governo e de outros partidos aos gastos com aparato militar convencional. Esses políticos acreditam que o país deveria investir mais em operações de inteligência e segurança cibernética.

Represálias

Além da expulsão de 23 diplomatas, Theresa May anunciou o congelamento de bens estatais russos, um maior controle alfandegário e dos voos particulares vindos da Rússia e ainda um boicote de representantes do governo e da família real à Copa do Mundo. A premiê britânica, Theresa May, tem estado em contato com seus principais aliados na Europa e no resto do mundo, como prova a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada na quarta-feira (14).

O Reino Unido ainda faz parte da União Europeia e o bloco mantém sanções contra a Rússia desde que o país anexou a península ucraniana da Crimeia, em 2014. O problema é que alguns membros do bloco europeu já vinham questionando as sanções, enquanto outros acreditam que, por causa do Brexit, os britânicos não estão com muito poder para impor novas restrições à Rússia.

Os representantes da União Europeia discutem o assunto em uma reunião na semana que vem. A Otan, da qual o Reino Unido também é membro, pressionou a Rússia por respostas e lembrou que este foi o primeiro ataque com um agente neurotóxico em território aliado desde a fundação dessa aliança militar. Hoje o presidente francês, Emmanuel Macron, conversou com a premiê britânica. De acordo com um comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu, a França também acredita que a Rússia está envolvida na tentativa de assassinato do ex-espião.

Trump declara solidariedade aos britânicos

Durante a noite, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou sua solidariedade ao governo do Reino Unido e acusou a Rússia de sabotar a soberania e a segurança de vários países do mundo. As declarações de Trump, lidas por sua assessora de imprensa, Sarah Sanders, na Casa Branca, surpreenderam pela maneira direta e pela linguagem com que o presidente ataca a Rússia. Trump qualifica o atentado a Sergei Skripal como um “ataque abominável” e diz que foi justa a decisão da primeira-ministra britânica, Theresa May, de expulsar 23 diplomatas russos do Reino Unido.

O presidente americano ainda reforçou que o Reino Unido é o seu principal aliado no mundo. Ainda na noite de quarta-feira, os membros do Conselho de Segurança da ONU manifestaram apoio total aos britânicos. O representante do país no Conselho, Jonathan Allen, acusou a Rússia de violar a Convenção de Armas Químicas. Mas o enviado russo, Vissaly Nebenzia, negou que o país estivesse desenvolvendo o agente novichok. Ele insinuou que o atentado em Salisbury teria sido orquestrado pelo próprio governo britânico ou por outro país para “manchar” a imagem da Rússia às vésperas da Copa do Mundo.

Nesta quinta-feira (15), o Ministério das Relações Exteriores russo anunciou que ainda não definiu qual será sua resposta contra as acusações "loucas" do Reino Unido.

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