rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Anexação da Crimeia e falta de candidatos de peso ajudaram a eleger Putin

Por Silvano Mendes

Há quase 20 anos no poder, Vladimir Vladimirovitch Putin conquistou neste domingo (19) seu quarto mandato de presidente da Rússia. Além da falta de concorrentes de peso, temas como a anexação da Crimeia tiveram impacto no pleito. Mas alguns detalhes, com o resultado do candidato Comunista e o índice de participação, mostram que essa vitória não foi tão esmagadora quanto parece.

Do enviado especial a Moscou

Como já era de se esperar, os jornais russos desta segunda-feira (19) destacam o resultado das eleições. A manchete do KomsoMolskaia  é “A vitória absoluta de Putin”, termo que também é utilizado pelo Rossiiskaja Gazeta. O jornal Izvesia, um dos principais títulos da imprensa diária russa, destaca no título a frase “O sucesso nos espera”, citando o discurso de vitória de Putin.

O Kommersant, jornal econômico e com uma linha editorial mais internacional, lembra que Putin ganhou a eleição apesar da crise diplomática com o Reino Unido. O tema, aliás, foi citado pelo presidente reeleito na entrevista coletiva após a divulgação do resultado. Putin declarou que a Moscou não é responsável pelo episódio, pois seu país não teria mais armas químicas. E completou dizendo que, “se a Rússia estivesse por trás do caso, esse ex-espião não estaria mais vivo”.

No entanto, apesar do tom ufanista da imprensa, o resultado conquistado pelo representante do Partido Comunista, Pavel Groudinine, também surpreendeu. Ele reuniu quase 12% dos votos, o que pode parecer pouco, mas já é bem acima do que vinha sendo anunciado pelos institutos de sondagem. Mesmo assim, a falta de uma concorrência séria acabou favorecendo Putin, pois todos os candidatos tiveram resultados extremamente baixos, o que deu ao presidente ao novo mandato de seis anos desde o primeiro turno.

Rússia na periferia do mundo civilizado

Outro aspecto que marcou essa campanha foi a anexação da Crimeia (que Moscou e os partidários de Putin preferem chamar de “reunificação”). Putin usou essa operação como um exemplo de sucesso de seu terceiro mandato e lembrou do fato em diversos momentos da campanha. Foi na Crimeia que o presidente-candidato fez um de seus raros comícios, além de ter mudado a data da eleição deste domingo para coincidir com o aniversário de quatro anos da transferência do território ucraniano para a Rússia.

“A Crimeia dará a Putin seu lugar na história pois, vista da Rússia, trata-se de uma operação que vai ser lembrada para sempre”, comentou o historiador e diretor da Câmada de comércio e da indústria franco-russa, Pavel Chinsky, pouco antes da divulgação dos resultados. Foi nessa região, aliás, que Putin conseguiu – junto com a Chechênia– os melhores resultados, alcançando cerca de 90% dos votos.

“No entanto, se podemos dizer que há uma verdadeira legitimidade histórica, a maneira como feita essa operação vai contra todos os princípios do direito internacional. A Crimeia distanciou a Rússia da Europa e fez o país se marginalizar. As sanções econômicas são o resultado mais visível. Essa anexação colocou a Rússia na periferia do mundo civilizado”, conclui.

Destituição do chefe da agência de inteligência alemã abala governo Merkel

70° Emmy é marcado por pedido de casamento e premiação de “The Marvelous Mrs. Maisel”

Hong Kong se recupera da passagem do tufão Mangkhut, o mais forte que já atingiu o território

Em Berlim, congresso sobre violência sexual destaca casos na Igreja Católica

25 anos depois, Acordos de Oslo entre Israel e Palestina parecem cada vez mais distantes

Primárias em Nova York podem concretizar "ano da mulher" do Partido Democrata

Ameaças de sanções contra o Tribunal Penal Internacional reforçam opção isolacionista dos EUA

Suécia: eleições devem confirmar avanço de partido da extrema-direita e anti-imigração

Devido ao Brexit, Reino Unido perde apoio dos países europeus no caso Skripal

Acusado de apoiar terrorismo, Catar pode virar ilha e ficar totalmente isolado

Aufstehen, movimento de esquerda e anti-imigração, é lançado na Alemanha

Ministro italiano pode ser afastado do cargo por bloquear migrantes na Sicília

Papa tenta na Irlanda conquistar católicos afastados por escândalos de pedofilia