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Afastado diretor de empresa acusada de usar dados do Facebook na campanha de Trump

O escândalo sobre o uso indevido de dados pessoais de milhões de usuários do Facebook para manipular propaganda política ganhou um novo capítulo na terça-feira (20) com a suspensão do diretor-executivo da Cambridge Analytica. A empresa, que tem sede em Londres, é acusada de ter recolhido informações sobre os usuários da rede social, sem autorização, para promover a candidatura de Donald Trump na corrida eleitoral americana, há dois anos. O escândalo também atinge em cheio o Facebook, que viu suas ações caírem nos últimos dias e está sendo investigado por autoridades americanas e britânicas. 

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

A empresa britânica Cambridge Analytica, até então desconhecida do grande público, está no centro desse escândalo, mas nega qualquer violação de privacidade dos usuários do Facebook. Por outro lado, suspendeu seu diretor-executivo, Alexander Nix, depois que ele foi flagrado admitindo que a empresa participou ativamente da campanha de Donald Trump nas redes sociais. 

A Cambridge Analytica tem sede em Londres e foi criada para fazer coleta e análise de dados em processos eleitorais nos Estados Unidos. Um de seus maiores acionistas é o investidor americano Robert Mercer, conhecido simpatizante de políticos ultra-conservadores. Já Steve Bannon, o homem apontado como o cabeça da campanha de Donald Trump à presidência e depois diretor de estratégia da Casa Branca, foi também vice-presidente da Cambridge Analytica. 

Como empresa teve acesso aos dados

O nome da empresa veio à tona no último domingo, quando os jornais The New York Times e The Observer publicaram uma longa entrevista com um ex-funcionário, o canadense Christopher Wylie. Ele revelou que a Cambridge Analytica criou um aplicativo para o Facebook convidando usuários a fazerem um teste de personalidade, algo muito comum nas redes sociais. 

Segundo ele, a partir disso, a empresa teve acesso a informações pessoais sobre cerca de 50 milhões de usuários, principalmente nos Estados Unidos. Esses dados foram então utilizados para direcionar anúncios favoráveis ao então candidato republicano Donald Trump. Há suspeitas de que a empresa também atuou na campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia, durante o referendo de 2016. 

A Cambridge Analytica nega as revelações feitas por Wylie. Um detalhe: a empresa não tem nenhuma relação com a renomada Universidade de Cambridge, apesar de o desenvolvedor do tal aplicativo, Aleksandr Kogan, ser um pesquisador da instituição. 

Testes de personalidade no Facebook

O aplicativo usado pela Cambridge Analytica foi criado para ser usado por membros do Facebook. Em 2016, esse tipo de aplicativo permitia à empresa ter acesso não apenas ao perfil dos usuários que aceitavam fazer esses testes de personalidade como também aos amigos deles. 

Hoje em dia, o Facebook restringe a quantidade de informações que empresas desenvolvedoras de aplicativos podem recolher. Antes de o escândalo vir à tona, a rede social removeu o aplicativo da Cambridge Analytica e pediu à empresa que forneça provas de que apagou todos dados recolhidos dos usuários. 

Zuckerberg investigado

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, está longe de se ver livre deste pesadelo. Na terça-feira, ele foi convocado a depor no Parlamento britânico diante de uma comissão que já vinha investigando a possível interferência da rede social na campanha pelo Brexit e no envolvimento da Rússia nas eleições americanas. 

Representantes do Facebook já tinham prestado depoimento a essa comissão parlamentar britânica, mas agora a empresa está sendo acusada de ter induzido em erro as investigações. O Parlamento britânico deu até a próxima segunda-feira (26) para que a empresa californiana se explique. A Comissão de Comércio americana também abriu uma investigação contra o Facebook por possível violação de um acordo sobre a privacidade de seus usuários. 

Desde que este escândalo veio à tona, a gigante do Vale do Silício já perdeu US$ 50 bilhões em seu valor de mercado. Seu fundador e presidente, Mark Zuckerberg, ainda não veio a público para se pronunciar sobre o assunto.
 

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