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Morte de migrante grávida causa comoção na Itália

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A história de Beauty vem sendo amplamente mostrada na mídia italiana. Reprodução Facebook

Um inquérito judicial foi aberto no sábado (24), em Turim, após a morte de uma migrante nigeriana que tentou em vão chegar à França com o marido, grávida e doente, segundo informações da imprensa e de associações italianas de Direitos Humanos.


Beauty, 31 anos, morreu na semana passada em um hospital em Turim. Seu bebê, nascido por cesariana pouco antes, é prematuro, mas sua saúde vai bem, de acordo com os médicos italianos.

A jovem e seu marido viviam perto de Nápoles. Quando Beauty percebeu que sofria de um linfoma, desejou concluir a gravidez ao lado de sua irmã, na França, mas os policiais franceses bloquearam o casal na fronteira no dia 9 de fevereiro.

Mesmo estando grávida de seis meses e lutando para respirar por causa do linfoma, policiais a deixaram no meio da noite em frente à estação de Bardonnecchia, perto dos Alpes franceses, de acordo com a associação Rainbow4Africa.

"Até os Correios tratam melhor suas encomendas", denunciou Paolo Narcisi, responsável pela Rainbow4Africa, que participa da ajuda aos migrantes no lado italiano dos Alpes. O marido detalhou à imprensa italiana que ele quem ficou preso na fronteira, e que a Beauty, autorizada a entrar na França, optou por ficar com ele.

Caso repercute na imprensa italiana

Hospitalizada em Rivoli, no Val du Suze, em seguida, em um serviço especializado em Turim, ela sobreviveu apenas algumas semanas. Seu bebê, Israel, nascido em 15 de março com 29 semanas de gravidez, pesava 700 gramas. Em uma semana, ele conseguiu chegar a quase 1 kg, segundo os serviços médicos.

A história vem sendo amplamente mostrada na mídia italiana, que relembra o caso dos contratempos vividos pelo voluntário Benoît Ducros na França, convocado pela Justiça depois de ajudar uma família nigeriana, incluindo uma mulher grávida.

Segundo Ducros, os funcionários da alfândega francesa demoraram a chamar os bombeiros para ajudar a mulher e também levaram tempo para devolver o pai e dois filhos de 2 e 5 anos à Itália.