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“Humilhação nacional” pós-Brexit: empresa francesa vai fabricar passaportes da Grã-Bretanha

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O passaporte azul, um dos novos emblemas da soberania britânica pós-Brexit, deverá ser fabricado em 2019 por uma empresa francesa. UK Government/Handout via Reuters

“Take back control” (“Retomar o controle da situação”), ironiza, em inglês, o jornal francês Aujourd’hui en France nesta segunda-feira (26), numa menção ao slogan que reuniu partidários do Brexit. A empresa francesa Gemalto estragou a alegria dos ingleses depois do divórcio com o bloco europeu, ganhando a licitação para fabricar o documento nacional britânico. “Humilhação nacional”, estimou a ex-ministra conservadora Priti Patel à imprensa.


O passaporte azul britânico, um dos novos emblemas da soberania que será retomada a partir de março de 2019, quando entra em vigor o Brexit, deverá, a partir de setembro, ser fabricado pela empresa francesa Gemalto, líder no segmento de chips e documentos eletrônicos encriptados. O fato é destacado na edição desta segunda-feira do jornal Aujourd’hui en France: quem sai perdendo é a empresa britânica De La Rue, encarregada até o momento de produzir os documentos de viagem em sua versão vermelho-escuro, uma norma clássica do passaporte da União Europeia.

As ironias não param por aí. “Eu gostaria de convidar a Theresa May para vir em minha fábrica e explicar a meus empregados dedicados como esta decisão pode ser considerada razoável”, diz o presidente da De La Rue, citado por Aujourd’hui en France. A empresa francesa Gemalto, vencedora da concorrência, preferiu ficar calada. “O resultado da licitação – estimado num contrato de € 560 milhões em 10 anos – só será oficializado dentro de 10 dias”, lembra o diário francês.

Mesmo ainda sendo “oficiosa”, e não “oficial”, a decisão do governo britânico já provoca a ira dos apoiadores do Brexit. “Por que vocês detestam o seu país?”, grita a manchete do tablóide britânico Daily Mail. “É uma humilhação nacional”, ecoa a ex-ministra conservadora Priti Patel, citada por Aujourd’hui en France.

Governo britânico tenta contemporizar

Tentando atenuar a disputa, o governo britânico argumentou, por meio de uma fonte não identificada, que “confiar este contrato a uma empresa estrangeira mostra que a Grã-Bretanha será uma nação aberta depois do Brexit”. “Mas outros problemas emergem, como o relativo ao emprego”, lembra o jornal francês. “Cerca de 600 operários trabalham na fábrica da empresa inglesa De La Rue, sendo que 200 deles trabalham hoje produzindo este passaporte”.

O governo britânico também citou a economia que será feita por meio do contrato com a francesa Gemalto, cerca de € 137 milhões. Nada, no entanto, acalma alguns deputados trabalhistas e conservadores. “Trata-se de uma importante questão simbólica”, diz o parlamentar Bill Cash. O caso deve voltar às manchetes nos próximos dias, acredita o deputado, entrevistado por Aujourd’hui en France: o presidente da De La Rue se prepara para contestar a decisão publicamente.