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Síria, territórios palestinos, Coreias e Venezuela: papa pede fim dos grandes conflitos atuais

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Papa Francisco acena para os milhares de fiéis na Praça São Pedro, no Vaticano, neste domingo (1°). REUTERS/Stefano Rellandini

O papa Francisco celebrou neste domingo (1°) a tradicional missa de Páscoa na Basílica de São Pedro, no Vaticano. Antes de sua bênção Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), o Sumo Pontífice fez um apelo pelo fim de vários conflitos atuais nos territórios palestinos, nas duas Coreias, na Síria e na Venezuela.


Domingo de Páscoa, o ponto alto da tradicional data católica, celebrada por mais 1,3 bilhão de fiéis em todo o mundo, é também uma oportunidade que o papa Francisco aproveita para passar suas mensagens políticas. Neste domingo, depois de celebrar a missa da Ressurreição de Cristo, o sumo pontífice fez um apelo pela paz, pedindo o fim de vários conflitos no mundo.

Depois de improvisar sua homília, falando de maneira espontânea sobre a necessidade de agir em momentos de urgência, Francisco proferiu sua tradicional mensagem antes da bênção Urbi et Orbi, pedindo o fim da "exterminação em curso" na Síria e o respeito dos direitos humanos. Neste "amado e atormentado país, a população está exausta de uma guerra sem fim", declarou. 

O apelo se estendeu "à reconciliação na Terra Santa", quando o papa fez alusão à morte de 16 palestinos por tiros de soldados israelenses na sexta-feira (30). Segundo ele, os conflitos no local "não poupam as pessoas sem defesa". 

Em seguida, o santo padre encorajou o diálogo entre as duas Coreias, em plena reaproximação, depois de dois anos de tensão devido ao programa balístico e nuclear e Pyongyang. "Que todos os responsáveis ajam com sabedoria e discernimento para promover o bem do povo coreano e construir relações de confiança na comunidade internacional", reiterou. 

A América Latina não ficou de fora dos apelos do sumo pontífice. Francisco diz esperar que o povo da Venezuela "encontre uma via justa, pacífica e humana para sair o quanto antes da crise política e humanitária o oprime". "Suplicamos frutos de consolação para o povo venezuelano, que - como escreveram seus pastores - vive em uma espécie de terra estrangeira em seu próprio país", afirmou.

Além de intimar os líderes do mundo a agir com responsabilidade e pela paz, o sumo pontífice também convocou as pessoas a agirem. "Nesta Páscoa de 2018, o que faço?".

Uma semana santa e política

As injustiças ao redor do mundo marcaram as celebrações da Páscoa no Vaticano. Papa Francisco investiu em mensagens fortes e políticas desde o início da Semana Santa, uma das datas mais importantes do calendário cristão. 

Na quinta-feira (29), ele foi até a penitenciária Regina Coeli, em Roma, onde realizou a cerimônia do lava-pés. No total, 12 detentos participaram do evento, entre eles, 8 estrangeiros, incluindo 2 muçulmanos e um budista. “Eu sou pecador como vocês” disse o papa.

Já na Via Crúcis realizada no Coliseu, na sexta-feira, o sumo pontífice inovou e, pela primeira vez, convocou jovens para escrever textos sobre bullying nas redes sociais e imigração, mensagens lidas durante o percurso. No fim da cerimônia, Francisco disse sentir "vergonha" por deixar às jovens gerações "um mundo partido pelas divisões e as guerras". Segundo ele, o planeta está "devorado pelo egoísmo" e "jovens, crianças, doentes e idosos são marginalizados". 

Ontem, durante a Vigília Pascal, Francisco batizou oito adultos, entre eles, um imigrante clasdestino da Nigéria, considerado um herói na Itália por ter impedido um roubo à mão armada em Roma, no ano passado. Na cerimônia, o santo padre também pediu que os fiéis rompam o silêncio que sobre as injustiças vividas pelas pessoas.