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Imprensa internacional prevê acirramento da polarização política no Brasil com prisão iminente de Lula

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A derrota do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal é manchete do jornal Le Monde Reprodução

A derrota do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal está nas manchetes internacionais em toda a Europa. Na França, a rádio France Inter anuncia que a prisão de Lula é iminente, depois que os juízes do STF negaram seu pedido de habeas corpus.


O jornal Le Figaro explica que, teoricamente, não existe mais nenhum obstáculo ao encarceramento do ex-presidente e, de acordo com vários juristas, ele deverá estar atrás das grades na semana que vem, provavelmente na terça-feira (10). Le Figaro relata as declarações de apoio recebidas por Lula, após o resultado do julgamento, citando tuítes do Partido dos Trabalhadores e do presidente venezuelano, Nicolas Maduro, que afirmou ser uma injustiça a condenação do petista.

A sentença do STF é a principal manchete do site do Le Monde. "Nunca uma decisão dilacerou tanto o Brasil, escreve a correspondente do jornal francês em São Paulo, Claire Gatinois, pela polarização entre os brasileiros que continuam a venerar o ex-chefe de Estado como um “semi-deus” e aqueles que consideram Lula o pior bandido da humanidade, responsável pelo rombo nas contas públicas e a estagnação perpétua do gigante latino-americano. O jornal também destaca a defesa feita por Dias Toffoli, afirmando que o que estava em jogo ontem, em Brasília, não era apenas o destino do Brasil mas também o de um país que não olha seus pobres e suas favelas.

Na Espanha, o jornal El País diz que, apesar de o Brasil ser o reino do imprevisível, tudo indica que o ex-presidente Lula se tornará um presidiário nos próximos dias. "É possível que a passagem de Lula pela prisão seja efêmera", avalia o diário espanhol, já que "a defesa de Lula ainda tem algumas balas para gastar". El País prevê que a enorme ferida aberta nos últimos anos na sociedade brasileira será, com certeza, ampliada. "Um terço do eleitorado, segundo pesquisas, viverá a prisão de Lula como um trauma inimaginável, uma espécie de vingança da elite contra o metalúrgico sem estudos, que ascendeu da mais baixa classe social, num país onde a discriminação é atroz, para governar com sucesso durante oito anos. Outros, que perambularam por todos os cantos do país com o boneco de Lula vestido de presidiário, vão celebrar o triunfo. Mas as vozes que consideram Lula apenas um bode expiatório dentro de um sistema político onde quase nenhuma figura de relevância está a salvo de suspeitas também ressoará novamente, prevê o espanhol El País.

O britânico The Guardian acredita que a prisão representa o fim da carreira política de Lula. "No complexo e mal-ordenado sistema legal brasileiro", diz o Guardian, os juízes do Supremo ouviram "os apelos para que uma pena confirmada após recurso leve à prisão, ao invés de deixar o processo se estender por por vários anos, garantindo a impunidade para aqueles suficientemente ricos para pagar advogados que possam lançar inúmeros recursos técnicos".

O jornal português O Público explica que, mesmo estando preso, Lula pode ser candidato às presidenciais de outubro e fazer campanha. Só o Tribunal Superior Eleitoral, que a partir de agosto vai ser presidido pela juíza Rosa Weber, pode inviabilizar a sua candidatura, com base na Lei da Ficha Limpa. O ex-presidente corre, portanto, o risco de iniciar uma campanha eleitoral mas, a meio do percurso, ser proibido de se candidatar.