rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

UE vê com cautela reeleição de ultranacionalista húngaro

Por RFI

Após oito anos no poder, o primeiro-ministro da Hungria, o ultranacionalista Viktor Orbán e seu partido, o Fidesz, ganham o terceiro mandato consecutivo com maioria confortável. A taxa de participação nas urnas bateu um recorde: 68,80%. A União Europeia acompanhou com atenção as eleições húngaras.

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

O grande vencedor foi o premiê húngaro Viktor Orbán e seu partido Fidesz, que engatam o terceiro mandato consecutivo. De acordo com os resultados parciais, o Fidesz ganhou 49,2%  dos 93% dos votos já contabilizados. Nas últimas eleições, em 2014, o partido de Orbán ganhou 45% dos votos.

Baseado nos resultados preliminares, a coalizão ultraconservadora Fidesz-KDNP deve ficar com 133 assentos no Parlamento, o partido de extrema-direita Jobbik com 26 assentos e os socialistas com 20 assentos. Os outros assentos irão para partidos pequenos. O resultado final das eleições na Hungria só será divulgado durante a semana, depois da contagem dos votos de milhares de húngaros que vivem no exterior.

Fôlego ao populismo

A União Europeia recebeu a reeleição do ultranacionalista Viktor Orbán com cautela. A vitória maciça do premiê húngaro causou uma certa surpresa. O problema maior é o novo fôlego que ela pode dar aos partidos populistas no bloco.

Apesar de o Fidesz, o partido de Orbán, ter conquistado a maioria e provavelmente a supermaioria na Assembléia Nacional – ou seja, dois terços dos assentos, que  permitem mudanças constitucionais - alguns especialistas acreditavam que o premiê populista estava perdendo domínio na Hungria.

Em fevereiro, o partido de oposição Jobbik, acusado de ser neonazista e antissemita, ganhou as eleições municipais de um bastião do Fidesz. Porém, com os resultados destas eleições, o líder do Jobbik, Gábor Vona, disse que iria renunciar.

A reeleição de Orbán deve ter agradado países do Leste Europeu como a Polônia, que segue o mesmo modelo autoritário do premiê húngaro. Viktor Orbán é um grande crítico de Bruxelas; mas ironicamente é a UE que envia bilhões de dólares a cada ano para o desenvolvimento da Hungria.
 
Em uma primeira análise, Viktor Orbán conquistou dois assentos a mais nestas legislativas. Para quem apostou em uma diminuição do poder, o premiê húngaro mostrou fôlego ao conquistar seu terceiro mandato consecutivo com uma vitória sólida e uma participação recorde.

Primeira eleição foi em 1998

Depois da chanceler alemã Angela Merkel, Orbán é o segundo dirigente europeu que está há mais tempo no poder. Foi eleito em 1998, aos 35 anos, e depois voltou em 2010; desde então continua no cargo.

Nos últimos oito anos, o premiê ultraconservador e cada vez mais eurofóbico, transformou a Hungria para o que chama de “democracia iliberal”, implementando suas políticas sem oposição. E desta maneira, reescreveu a Constituição para ganhar mais poder, aumentou o controle do governo sobre a Justiça, criou uma autoridade para controlar a mídia, instaurou o fisiologismo e a corrupção.

Para desespero da UE, a intenção de Orbán é fortalecer os laços com os países vizinhos contra as ideias de Bruxelas, Paris e Berlim. O avanço dos partidos populistas na Europa ganha força e assusta. Em março, dois partidos eurocéticos e xenófobos ganharam as eleições na Itália. Em dezembro, o governo austríaco encabeçado pelos conservadores fez um pacto com o ultradireitista Partido da Liberdade.

Retórica anti-imigração
 
Viktor Orbán mantêm a retórica anti-imigração que certamente ajudou a garantir sua vitória nestas eleições legislativas. Segundo o premiê húngaro, as milhares de pessoas que fogem de conflitos não são refugiados e sim “invasores muçulmanos que ameaçam dissolver a identidade da Hungria e de toda a Europa”.

Recentemente, Orbán afirmou “nós não queremos que nossa cor seja misturada com outras cores”. Opositor ferrenho das cotas de imigrantes propostas pelo bloco europeu, o premiê húngaro ajudou a reativar o grupo Visegrad - composto pela Hungria, Polônia, República Checa e Eslováquia – bastante hostil à imigração.

Aliás, nenhum líder na Europa foi mais intolerante com os refugiados e imigrantes do que Viktor Orbán, que construiu uma cerca de arame farpado duplo ao longo das fronteiras com a Sérvia e a Croácia para impedir a “ameaça” migratória.

Segundo a organização Human Rights Watch, “Orbán mudou o debate público introduzindo uma retórica tóxica de ódio contra os refugiados, imigrantes, muçulmanos e os romas –  ciganos romenos”.

Condenação de Michael Cohen complica a situação legal do presidente Donald Trump

Em último Conselho Europeu do ano, UE não fará concessões a May sobre o Brexit

Premiê britânica se reúne com líderes europeus para obter novas garantias para Brexit

Em clima tenso no clã Bolsonaro, presidente eleito será diplomado no TSE

Extrema direita se reúne na Bélgica contra Pacto sobre Migração da ONU

Bolivianos fazem greve geral contra nova candidatura de Evo Morales à presidência

Israel realiza operação em túneis do Hezbollah na fronteira com Líbano

Participação do Brasil no G20 é irrelevante à espera do que fará Bolsonaro

Hong Kong: congresso condena cientista"irresponsável" que editou genes em embriões

Outdoors sobre prêmio para retorno de migrantes causam indignação na Alemanha

Itália quer impedir empréstimo de obras de Da Vinci para museu do Louvre

Fim do Airbnb na Cisjordânia reforça ações contra ocupação israelense

Trump fecha o cerco aos migrantes latino-americanos na fronteira com o México

Primeiro Foro Mundial do Pensamento Crítico da esquerda discute vitória de Bolsonaro