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Bélgica distribui pastilhas de iodo prevendo eventual acidente nuclear

A Bélgica começou a distribuir pastilhas de iodo à população como uma medida preventiva face a um eventual acidente nuclear. O país possui duas centrais com sete reatores que não são considerados seguros. Além disso, Bruxelas não desconsidera o risco de um atentado terrorista. 

Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas

As farmácias belgas estão distribuindo gratuitamente pastilhas de iodo aos clientes de todo o país. A iniciativa faz parte do novo plano de segurança nuclear do governo belga. Em caso de uma emergência nuclear, as pastilhas de iodo devem proteger a glândula tiróide de uma contaminação radioativa, limitando o risco de câncer na tiróide. 

Apesar de serem distribuídas para toda população, as pastilhas de iodo são recomendadas somente para os grupos de risco: todos os habitantes em um raio de 20 quilômetros das centrais nucleares, menores de 18 anos, mulheres grávidas ou que estão amamentando, responsáveis por creches, escolas e professores. As pessoas com mais de 40 anos devem consultar um médico para avaliar a necessidade de utilizar a pastilha de iodo, em caso de acidente nuclear.

Usinas mais inseguras do mundo

As centrais nucleares belgas são consideradas as mais inseguras do mundo, segundo relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O partido verde Ecolo-Groen da Bélgica ressalta que os reatores nucleares do país detêm o lamentável recorde mundial de blecaute: “enquanto a média mundial é de 4%, a Bélgica chega a 25%, bem a frente do Irã (13,5%) e da República Checa (8,8%)”. 

Embora os reatores nucleares disponham de sistemas de proteção que os desligam automaticamente se houver um evento de blecaute, ainda assim suas consequências podem ser graves, pois alguns sistemas de segurança dependem de energia elétrica. Além disso, alguns reatores apresentam centenas de microfissuras em suas estruturas. 

Outro motivo, não abertamente divulgado, é a possibilidade de um atentado terrorista contra uma das centrais nucleares do país.

Ataques terroristas

Há dois anos, na época dos atentados terroristas em Bruxelas, as centrais nucleares de Doel e Tihange foram evacuadas por motivos de segurança. As autoridades belgas restringiram o acesso dos trabalhadores e reforçaram a segurança com militares. 

Segundo a Agência Federal de Controle Nuclear da Bélgica, “as usinas nucleares belgas tomam todas as medidas necessárias para se protegerem não só de ataques terroristas, mas também de acidentes aéreos, terremotos, inundações e incêndios”. Mas há suspeitas perturbadoras na questão nuclear na Bélgica. 

Em 2012, dois funcionários da usina nuclear de Doel, no norte do país, se uniram ao grupo Estado Islâmico na Síria. Dois anos mais tarde, alguém com acesso à planta desta mesma usina drenou o lubrificante da turbina do reator causando um superaquecimento. Até hoje o caso não foi esclarecido. 

Em 2015, a polícia belga descobriu vídeos amadores que controlavam a rotina de um alto funcionário de uma central nuclear belga com acesso a materiais radioativos. 

O grande temor é a sabotagem de uma instalação nuclear ou roubo de material radioativo para fabricar a chamada “bomba suja”, na qual são usados explosivos convencionais para espalhar material radioativo.

Campanha de prevenção 

Além das pastilhas, a campanha feita pelo governo belga informa os procedimentos mais importantes a seguir em caso de acidente nuclear como se abrigar, fechar portas e janelas e ficar no cômodo mais central da casa e acompanhar as recomendações divulgadas pela mídia. A Bélgica é um país minúsculo por esta razão a distribuição das pastilhas de iodo cobre todo o território nacional. 

O país tem duas centrais nucleares com sete reatores que produzem 55% da eletricidade consumida no país. Elas já deveriam ter sido fechadas em 2015, mas foram mantidas em funcionamento por mais dez anos. Dois dos reatores destas centrais estiveram fechados por 21 meses, por questões de segurança. 

No ano passado, milhares de manifestantes formaram uma corrente humana na tríplice fronteira da Alemanha, Bélgica e Holanda em protesto ao fechamento de dois reatores nucleares belgas com centenas de microfissuras. A maioria dos belgas é contra um prolongamento da atividade das centrais nucleares no país. Eles querem o fechamento dos reatores em 2025, como previsto na legislação.
 

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