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Turquia está cada vez mais distante da UE

Por RFI

A União Europeia exclui a abertura de um novo capítulo nas negociações para a adesão da Turquia ao bloco. Após a divulgação de um novo relatório sobre o país nesta terça-feira (17), Bruxelas critica principalmente as detenções arbitrárias e pede o fim do estado de emergência, decretado depois da tentativa de golpe militar de julho de 2016. A Comissão Europeia afirma que o governo turco se afasta a passos largos do bloco europeu.

Depois de prender milhares de opositores, jornalistas e professores, agora é o setor artístico que a Turquia silencia cada vez mais. Dezenas de cantores e atores turcos estão hoje na prisão.

Fernanda Castelhani, correspondente da RFI em Istambul

Para o governo turco, as prisões estão em linha com o objetivo de remover das instituições públicas e de outros setores da sociedade idealizadores ou simpatizantes da tentativa de golpe militar de julho de 2016. Já para a oposição, isso é apenas pretexto para calar qualquer visão contrária.

No setor cultural, uma das bandas silenciadas é o Grupo Yorum, com mais de vinte álbuns lançados em mais de três décadas. Onze dos músicos estão presos e outros são procurados – com nome até na lista de terroristas da polícia, que oferece recompensa em dinheiro para as denúncias. Declaradamente de esquerda, a banda canta algumas vezes em curdo e descreve fatos do país mesclando engajamento político e música tradicional.

Na rádio nacional turca, cerca de duzentos artistas estão censurados. Um deles é o cantor pop Güney Marlen, que faz menção ao vinho numa música e está sendo acusado de apologia ao alcoolismo.

Outro exemplo é o de uma peça infantil proibida por conta de passagens contra a guerra. Em tempos de ofensiva militar na Síria, as autoridades não aprovaram.

Por insultar o presidente, a atriz e cantora Zuhal Olcay foi sentenciada a 10 meses de cadeia ao trocar, num show, a letra de um verso por: “Tayyip Erdogan, um vazio, uma mentira”.

Detenção de pastor evangélico

Até um pastor evangélico foi preso acusado de ajudar grupos terroristas na Turquia. A Justiça turca determinou, nesta semana, que o pastor Andrew Brunson, que trabalhou na Turquia como missionário por 23 anos e está preso há 18 meses, permaneça atrás das grades. Líder da Igreja da Ressureição, na cidade de Izmir, ele está sendo acusado de ajudar o grupo armado curdo PKK e também de ligações com Fetullah Gülen, o clérigo muçulmano exilado nos Estados Unidos acusado pelo governo turco de mentor da tentativa de golpe de Estado.

O próprio presidente americano, Donald Trump, pediu a Erdogan que Brunson seja repatriado, e ouviu como resposta a possibilidade de deportar o pastor em troca da extradição de Gülen.

Também sob acusação de ligações com Gülen está preso, há quase um ano, o presidente da Anistia Internacional Turquia, Taner Kiliç, sem libertação em vista.

Curiosamente, uma série de televisão que retrata uma prisão local está na mira do ministério da Justiça, que pediu ao Conselho de Rádio e TV da Turquia que tome as medidas necessárias para impedir cenas da produção intitulada “Avlu” (“Pátio”, em turco). O ministério diz que o programa mostra carcereiros como torturadores e a prisão como centro de tortura. Por enquanto, nesse caso, vitória da liberdade de expressão. A série não só já estreou como passa em horário nobre.

Relatório sobre a candidatura da Turquia à União Europeia

Além de trazer números concretos como: mais de 150 mil pessoas mantidas sob custódia, 78 mil presas e 110 mil servidores exonerados, desde o início do estado de emergência, o relatório da Comissão Europeia sobre a candidatura da Turquia mostra que o governo de Ancara teve um grande retrocesso na liberdade de expressão e de associação, e que houve um aumento no número de relatos de tortura em relação ao documento anterior, de novembro de 2016. O comissário responsável pelo crescimento do bloco europeu, Johannes Hahn, declarou, em coletiva de imprensa, que a Turquia continua a se afastar a passos largos da União Europeia.

É importante ressaltar que o Parlamento turco deve discutir, na quinta-feira (19), a extensão do estado de emergência por mais três meses. É a sétima vez consecutiva que isso acontece.

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