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Governo do Reino Unido expulsa imigrantes caribenhos que vivem no país há décadas

Por Maria Luísa Cavalcanti

O governo do Reino Unido está sendo pressionado a compensar financeiramente centenas de cidadãos britânicos de origem caribenha depois que vieram à tona casos de deportação, exílio forçado e tratamento hostil por parte das autoridades.

De Londres, para a RFI

Membros da oposição também estão pedindo a renúncia da primeira-ministra britânica, Theresa May, pela maneira como seu gabinete falhou em reconhecer a legitimidade desses cidadãos – a maioria deles idosos que chegaram ao Reino Unido na infância e nunca mais deixaram o país.

O escândalo envolve pessoas vindas de países caribenhos que foram colônias do Império Britânico, como a Jamaica, Trinidad ou Barbados. A maioria desses cidadãos chegou ao Reino Unido entre as décadas de 40 e 70, quando ainda era criança.

Naquela época, o governo britânico convidava e estimulava a imigração na tentativa de aumentar a mão-de-obra do país, prejudicada pela Segunda Guerra Mundial. Os primeiros imigrantes viajaram a bordo do navio Empire Windrush, e por isso seus filhos são chamados de “Geração Windrush”.

Hoje os cidadãos dessa geração são pessoas de meia-idade ou idosos que vivem legalmente no Reino Unido há décadas, trabalhando e pagando impostos. Muitos se consideram britânicos e nunca visitaram seus países de origem.

Caso Thompson

Em março, o jornal The Guardian publicou relatos de vários desses cidadãos, contando como, nos últimos anos, eles perderam seus empregos e seus direitos ao bem-estar social porque não estão conseguindo provar que estão no país legalmente.

O caso mais emblemático é o de Albert Thompson, um jamaicano de 63 anos que veio para o Reino Unido com os pais na adolescência. Thompson trabalhou como mecânico e pagou impostos aqui por 30 anos, mas nunca tirou um passaporte nem documentos que pudessem comprovar seu direito de residir no país.

Recentemente, ele foi diagnosticado com câncer de próstata e foi recusado pelo sistema de saúde público para receber radioterapia. Foi depois de o caso de Thompson ser divulgado no Guardian que o assunto esquentou: vieram a público centenas de outros casos de demissões injustas, despejos e até deportações e exílio forçado.

O escândalo culminou esta semana porque foi debatido no Parlamento e tanto Theresa May como vários de seus ministros foram fortemente criticados pela oposição e pela opinião pública.
 
Reação do governo

Quando o drama de Albert Thompson foi publicado, a primeira reação da primeira-ministra, Theresa May, foi de dizer que o Ministério do Interior não iria priorizar o caso.

Mas diante dos novos relatos e da dimensão que o escândalo ganhou, May não teve outra saída senão se retratar e fazer promessas.

Ela aproveitou a presença em Londres dos chefes de Estado do Commonwealth, a Comunidade de Nações, principalmente de ex-colônias britânicas, e se reuniu com os presidentes dos países caribenhos para pedir desculpas pela maneira como esses cidadãos estão sendo tratados.

May também prometeu que Albert Thompson vai receber a radioterapia que ele espera há meses. Mas até agora, nem o próprio Thompson nem os outros cidadãos que perderam emprego, moradia e o direito de permanecer no país receberam um pedido de desculpas formal e individualizado por parte do governo.

Pente fino
 
Mas como se explica o fato de essas pessoas terem vivido tantas décadas no pais e de repente se verem diante de problemas com os serviços de imigração? É exatamente isso que tanto o governo quanto a oposição estão tentando entender e explicar.

Em 2010, o então primeiro-ministro David Cameron prometeu reduzir dramaticamente o número de imigrantes ilegais no país.

E coube justamente a Theresa May, que era a ministra do Interior na época, implementar medidas para tentar passar um pente fino em pessoas que já viviam no país ilegalmente.

Ambiente hostil

Tanto May quanto Cameron chegaram a dizer que queriam criar um ambiente tão hostil para os imigrantes ilegais que eles não veriam outra saída senão voltar para seus países.

Todo empregador, todo proprietário de imóvel, todas as agências governamentais e até o serviço de saúde pública passaram a exigir de todo cidadão um passaporte ou documentos que provem que residem no país legalmente.

O problema é que essas medidas acabaram atingindo os membros da geração Windrush porque muitos deles – quase 60 mil pessoas – nunca tiveram documentos provando sua legalidade.

O Reino Unido, ao contrário do Brasil, não emite carteira de identidade. Então se essas pessoas nunca fizeram um passaporte, por exemplo, eles não conseguem provar seu direito à cidadania.

Isso também se agravou porque o governo passou a não aceitar comprovantes de residência, emprego, contribuição com impostos como prova da legitimidade da permanência dessas pessoas.

Por causa da situação de sofrimento que esses indivíduos viveram nos últimos anos, a oposição está pedindo que eles sejam compensados financeiramente.

Há também os que pedem a renúncia de May e a atual ministra do Interior, Amber Rudd, por causa dos erros cometidos. Mas, por enquanto, não há sinais de que May vá ceder à enorme pressão.

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