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Enóloga gaúcha é embaixadora de espumantes brasileiros na Itália

Por RFI

A enóloga ítalo-brasileira Monica Rossetti é considerada a embaixadora dos vinhos brasileiros na Itália. Ela nasceu em Bento Gonçalves, tem 35 anos de idade e trabalha há 17 anos na área de enologia. Hoje vive na região do Vêneto, no nordeste italiano, e divide seu tempo entre a Itália e o Brasil, acompanhando duas colheitas por ano, e assim coleciona 34 vindimas de experiência.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Os vinhos espumantes brasileiros de alta qualidade estão conquistando cada vez mais os mercados internacionais. Pela primeira vez, eles foram apresentados em Verona, na Vinitaly, a maior feira de vinhos da Itália. A degustação ocorreu em 17 de abril e impressionou especialistas do setor.

Monica Rossetti comenta o reconhecimento internacional dos espumantes brasileiros.

“Os espumantes brasileiros vêm se consolidando no mercado interno e também pela opinião especializada pela qualidade intrínseca que apresentam. A prova disso são os concursos em diversos países que premiam os espumantes brasileiros. O Brasil está confirmando a sua vocação em elaborar espumantes com uma produção crescente desta tipologia de vinho chegando hoje a 17 milhões de litros comercializados”, diz.

Serra Gaúcha

De acordo com ela, a Serra Gaúcha é a região mais representativa porque apresenta condições geoclimáticas propícias, onde, além da qualidade, os espumantes adquirem uma identidade própria. “Isso faz a diferença e consolida o prestígio internacional”, acrescenta.  

Sobre as dificuldades para um enólogo brasileiro obter o reconhecimento em países europeus, ela afirma:

“Falar de enologia em países onde o vinho é produzido em grandes quantidades e com qualidade é um desafio a mais. Acredito que sejam necessários humildade, conhecimento, bagagem e determinação. Assim é possível ser um profissional valorizado e demonstrar resultados inclusive em países de grande competitividade como a Itália, a França ou outros da Europa. O importante é ser bom naquilo que se faz.”

As videiras viníferas não são plantas nativas americanas e foram importadas da Europa. Monica Rossetti conta um pouco da história do vinho no Brasil.

“Segundo os registros históricos de 1532, foram os colonizadores portugueses que trouxeram as primeiras videiras. Mas foi a partir de 1875 que os imigrantes italianos aprimoraram a produção dos vinhos como cultura, tradição e o consumo diário da bebida”, diz.

Ela completa dizendo que s viticultores se estabeleceram na Serra Gaúcha por causa das condições geoclimáticas, além do solo e da altitude ideais. Os descendentes destes italianos desenvolveram e mantiveram a produção no Rio Grande do Sul e em outras regiões identificadas com potencial de boa produção.

Rossetti tem dupla cidadania, brasileira e italiana, e fez o percurso contrário dos seus trisavós imigrantes italianos, indo morar na Itália.

“Ninguém da minha família trabalha com vinho. Achei que fosse muito importante voltar a Itália. Já teve um primeiro momento que os italianos levaram esta consciência ao Brasil, mas ficaram bastante isolados na Serra Gaúcha”, relata.

“Neste momento de troca e interação mundial, eu voltei para a Itália para entender o que aprendemos e o que evoluiu nos últimos 145 anos. Qual é o novo momento do vinho no mundo e na Itália e como eu posso continuar este percurso para aprender e perpetuar este sistema de desenvolvimento da viticultura no Brasil”, conclui.

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