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Atentados de Paris Bataclan Salah Abdeslam Condecoração

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Salah Abdeslam, indiciado pelo ataque ao Bataclan, é condenado a 20 anos de prisão

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Os advogados de Abdeslam, Sven Mary e Romain Delcoigne, na corte em Bruxelas antes do anúncio do veredito, el 23 de abril de 2018 Frederic Sierakowski/Pool via REUTERS

Um pequeno delinquente radicalizado no município de Molenbeek, em Bruxelas, Salah Abdeslam é o único membro vivo dos comandos jihadistas dos ataques de 13 de novembro de 2015, mas até agora ele se recusou a explicar suas ações nos tribunais franceses. Nesta segunda-feira (23), ele foi condenado à revelia a 20 anos de prisão em Bruxelas por um ataque contra policiais belgas.


Abdeslam, de 28 anos, e outro acusado, Sofien Ayari, tunisiano de 24 anos, foram condenados por tentativas de assassinato terrorista, devido a participação deles em um tiroteio policial em Bruxelas em 15 de março de 2016. Abdeslam foi preso três dias depois. 

Ele estava foragido desde os atentados de novembro, em Paris, que deixaram 130 mortos e centenas de feridos. Aos olhos da Justiça francesa, Abdeslam, ex-autor de pequenos furtos, conhecido por ser um bebedor e festeiro, desempenhou um papel central na preparação dos ataques na capital francesa.

Ele supostamente alugou carros e esconderijos e escoltou membros da célula jihadista pela Europa. Na noite de 13 de novembro, ele mesmo carregava um cinturão explosivo que não disparou porque estava com defeito.

Em uma carta encontrada pelos investigadores e atribuída a ele, Abdeslam afirma que ele queria "juntar-se ao resto de seus irmãos" e morrer em "chahid" (mártir).

Este perfil islâmico convicto, o francês de 28 anos criado em uma família de origem marroquina, mostrou-o novamente no início de fevereiro, em seu julgamento em Bruxelas. Ele imediatamente desafiou com virulência a legitimidade de seus juízes, dizendo: "Confiem em Allá e isso é tudo."

Silêncio e paradoxos

Indiciado na França por atentados terroristas em abril de 2016, um mês após sua prisão em Molenbeek, Salah Abdeslam permaneceu em silêncio por quase dois anos.

Em março, diante do magistrado examinador, ele falou apenas com Ali Oulkadi, suspeito de tê-lo ajudado a fugir. No entanto, ele se recusou a mencionar seu próprio envolvimento nos ataques de Paris.

Abdeslam é mantido em confinamento solitário na prisão de Fleury-Mérogis, perto de Paris, onde suas convicções religiosas se "fortaleceram". De acordo com várias fontes, ele não havia deixado em Molenbeek a imagem de um jihadista em formação, não mais do que seu irmão Brahim, que foi um dos homens-bomba de 13 de novembro.

Um dos amigos dos irmãos Abdeslam, Jamal, descreveu-os como fãs de futebol que gostavam de ir a uma boate. "Bebedores e fumantes inveterados, não radicais", resumiu Youssef, outro de seus conhecidos.

Em 2013, ele e seu irmão Brahim abriram um bar, "Les Béguines". Na época, segundo um ex-cliente, "os discursos do Estado Islâmico já eram ouvidos,  mesmo que também fumássemos maconha”.

Cultivando os paradoxos, Salah Abdeslam bebia álcool e jogava no cassino. Mas também evocava desejos de partir para a Síria, especialmente no final de 2014.

“Pequeno idiota”

"Ele é um pequeno idiota de Molenbeek, um pequeno criminoso, mais um seguidor do que um líder. Ele tem a inteligência de um cinzeiro vazio, ele é um vazio abissal", assegurou seu advogado belga Sven Mary, em entrevista ao jornal francês Libération em abril de 2016.

Em sua vizinhança, Salah Abdeslam se dá de ombros com Abdelhamid Abaaoud, supostamente o organizador dos ataques em Paris, que morreu durante uma incursão policial perto da capital em 18 de novembro de 2015.

“Esses dois moleques aprontavam muito e estavam o tempo todo juntos", segundo parentes. Eles tiveram a prisão preventiva decretada no final de 2010 por furtos, o que lhes rendeu uma sentença condicional de um ano de prisão, em fevereiro de 2011.

Quando questionado em 2015 após o desmantelamento da célula jihadista belga em Verviers (leste), Abdeslam disse que Abahoud era "um cara legal", sem ignorar que seu amigo, que partiu para a Síria no início de 2013, se tornou uma figura importante no grupo Estado Islâmico.

Em 2015, suas viagens pela Europa tornam-se incessantes: foi à Grécia, no início de agosto, depois à Áustria e à Hungria, por onde passa o fluxo de migrantes da Síria.

Após sua prisão, ele minimizou seu papel, dizendo aos investigadores que "queria se explodir no Stade de France" e depois "recuou", segundo o promotor de Paris, François Molins.