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Alemanha: segurança é reforçada para evitar quebra-quebra em protestos no 1° de maio

Por RFI

No Dia Internacional do Trabalho, comemorado nesta terça-feira (1), Berlim se prepara para uma noite de tumultos, quebra-quebra e confrontos entre a polícia e manifestantes de extrema esquerda, nos protestos que acompanham o já tradicional Primeiro de Maio Revolucionário.

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

Nos últimos anos, as autoridades alemãs têm conseguido reduzir a violência nas manifestações, mas o quebra-quebra ocorre na capital todos os anos. A diferença é que as autoridades têm obtido sucesso em reduzir o número de feridos, evitar o vandalismo contra estabelecimentos comerciais e até mesmo diminuir o número de prisões.

Foi-se o tempo em que eram usados blindados com jatos d’água, lojas eram saqueadas e automóveis eram incendiados nas ruas.

Outra medida bem-sucedida foi a criação de uma grande festa de rua para famílias que ocorre exatamente no local dos protestos, no bairro de Kreuzberg. Desde então, os tumultos passaram a acontecer a partir do final da tarde, depois da comemoração, que acaba às 18h. Os manifestantes e black blocs tomam conta das ruas e travam batalhas de rua com a polícia. A confusão costuma atravessar a madrugada.

Neste ano, cerca de 15 mil pessoas devem participar da passeata de esquerda e extrema esquerda conhecida como Primeiro de Maio Revolucionário, realizada a partir do final da tarde. O caminho por onde passará o cortejo não foi previamente autorizado, mas será tolerado pela polícia.

Prévia dos protestos

Sempre há uma prévia dos protestos na última noite de abril. Muita gente se reúne nos parques de Berlim para dançar ao som de música ao vivo e sentar ao redor de fogueiras na chamada Noite de Santa Valburga. Essa data tem nome cristão mas tem origem nos ritos pagãos dos povos nórdicos. A festa é ligada às comemorações para marcar o fim do inverno e o início da primavera.

Dessa vez, a polícia de Berlim informou que as festas ocorreram em grande maioria, de forma pacífica. Mas foram registrados incidentes isolados.

Um ônibus foi atacado com garrafas e pedras por adolescentes, pelo menos dois carros e um caminhão pegaram fogo em bairros afastados do centro de Berlim e alguns integrantes de black blocs acenderam sinalizadores com fumaça colorida sobre telhados de edifícios. Uma passeata contra o capitalismo na noite de ontem, com cerca de 2 mil participantes, ocorreu, em maior parte, de forma pacífica.

Símbolos proibidos

Tradicionalmente, o 1° de Maio em Berlim é, desde 1987, uma data marcada por protestos violentos de grupos de extrema-esquerda. Esses grupos anunciaram que desta vez vão provocar a polícia portando bandeiras do partido curdo PKK, uma organização proibida no país. O objetivo é protestar contra a ofensiva militar da Turquia contra os curdos na Síria.

A polícia anunciou que não vai tolerar esse tipo de delito e que vai punir criminalmente quem carregar símbolos proibidos. Esse detalhe causa tensão e provoca temores de que haja desta vez mais violência nos protestos do que nos anos anteriores, quando a polícia conseguiu em parte controlar a situação, com uma tática menos agressiva de abordagem dos manifestantes.

Neste ano, o esquema de segurança na cidade envolve quase 5.300 policiais, incluindo reforços vindos de outros estados alemães.

 

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