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Crise migratória Mar Mediterrâneo Trabalho voluntário

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Pilotos franceses compram avião para salvar migrantes no Mediterrâneo

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Avião vai ajudar embarcações das ONGs a identificar os barcos de migrantes à deriva na costa da Líbia. REUTERS/Stefano Rellandini

Dois pilotos franceses lançam nesta sexta-feira (4) a primeira missão independente de salvamento no Mediterrâneo. Eles usaram suas próprias economias para comprar um avião monomotor, que vai sobrevoar o litoral da Líbia em busca de embarcações de migrantes à deriva.


José Benavente, 49 anos, e Benoît Micolon, 34 anos, criaram a associação “Pilotos Voluntários”, com o objetivo de ajudar os barcos das ONGs que já atuam no resgate de migrantes no Mediterrâneo. A costa líbia é considerada como uma das mais perigosas para os que tentam entrar na Europa por via marítima.

Em um vídeo divulgado no site da associação, Benavente fala da urgência do projeto e “das condições dramáticas das tentativas de travessia dos migrantes”. Desde o início deste ano, 500 pessoas morreram afogadas na zona. “É insuportável ver gente morrendo afogada nas portas da Europa”, disse ainda o francês em entrevista ao jornal Aujourd’hui em France. “Não podemos ficar parados como se nada estivesse acontecendo”, completou.

Os voluntários não pretendem resgatar diretamente os migrantes, e sim indicar às ONGs os barcos à deriva. “Qualquer tipo de embarcação que opera naquela zona pode ter dificuldades para identificar as migrantes de longe”, disse Benavente, lembrando que os pequenos botes de borracha ou de madeira dificilmente são captados pelos radares. “Com nosso avião, poderemos ajudá-los do alto”, explica o francês, que trabalhou durante mais de duas décadas para organizações humanitárias.

Segundo Micolon, que é piloto profissional, a aeronave, batizada de Colibri, tem autonomia para voar durante 10 horas. Mesmo se o aparelho, que custou € 130 mil, foi comprado com fundos próprios, os dois franceses lançaram uma campanha de doações na internet para custear a logística dos voos.

A primeira missão partirá de Malta nesta sexta-feira e várias decolagens diárias estão programadas. Desde que o projeto foi lançado, outros dez pilotos já se ofereceram para participar de forma voluntária.

Os franceses não deram detalhes sobre eventuais obstáculos administrativos encontrados na missão até agora. As autoridades ainda não se exprimiram sobre a operação.