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Imprensa francesa defende maior autonomia da Europa diante dos EUA

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Trump exibe documento em que anuncia intenção de abandonar o acordo nuclear iraniano. . REUTERS/Jonathan Ernst

Os jornais desta quinta-feira (10) destacam a crise aberta entre europeus e americanos após Donald Trump anunciar a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear iraniano.


Na avaliação do Libération, o presidente americano colocou os europeus contra a parede: "ou eles se inclinam e deixam Washington ditar suas políticas externa e comercial ou eles decidem que chegou a hora de transformar a Europa em uma potência não apenas econômica, mas também política". O jornal de esquerda ressalta que os europeus estão na mesma sintonia em relação ao respeito do acordo nuclear assinado em 2015 e seria uma pena perderem a ocasião de se afirmar.

O conservador Le Figaro vai na mesma direção. Ao abandonar o acordo nuclear iraniano, Trump sabia muito bem que estava atiçando a oposição dos europeus. Essa crise pode ter um desfecho salutar se a Europa der um passo à frente. Os europeus devem estabelecer uma estratégia autônoma e se dar os meios de concretizá-la, diz Le Figaro.

"Quebra-cabeça atômico"

Com o título "Quebra-cabeça atômico no Eliseu", o diário Aujourd'hui en France se refere a uma decisão "brutal" de Trump e a um momento crítico no Oriente Médio. O jornal considera que a França é o único interlocutor capaz de falar com todos os países implicados nessa crise. Os europeus buscam uma forma de mostrar seu descontentamento, sem complicar a relação com o aliado americano e, ao mesmo tempo, impedir que o Irã volte a enriquecer urânio, provocando uma escalada de proliferação nuclear na região.

Há grande expectativa em relação às sanções que Washington vai anunciar nos próximos dias contra Teerã. Será também em função da gravidade dessas medidas que os europeus irão anunciar seus próximos passos.

Uma coisa é certa, afirma o jornal Les Echos: os preços do petróleo devem aumentar com esse cenário cada vez mais complexo no Oriente Médio.