rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Europeus estão no caminho certo para manter acordo nuclear, diz Irã

Por Letícia Fonseca

O chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif, esteve em Bruxelas e afirmou que conversas com os europeus estão no caminho certo. Teerã quer que a Europa dê garantias em cumprir suas obrigações para permanecer no acordo nuclear.

Uma semana após a saída dos Estados Unidos (EUA) do acordo nuclear com o Irã, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, se reuniu com colegas europeus em Bruxelas para tentar salvar o pacto. O primeiro encontro foi com a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini. Ambos os lados concordaram sobre a importância de preservar o acordo.

A intenção da UE é manter os investimentos no país persa, mas isso só será possível se as sanções que serão anunciadas pelos EUA não atingirem as empresas europeias que fazem negócios com o Irã. Na semana passada, autoridades americanas sugeriram que estas companhias  poderiam ser alvo de punições.

Segundo Teerã, os países europeus têm até 60 dias de prazo para fornecer as garantias necessárias para salvaguardar os interesses iranianos e compensar os danos causados pela saída dos EUA. Zarif também se reuniu com os ministros das Relações Exteriores da França, Alemanha e Grã-Bretanha, que concordaram em encontrar soluções práticas durante as próximas semanas. Entre elas, continuar vendendo petróleo e gás iranianos, manter transações bancárias e proteger investimentos europeus no Irã.

Bruxelas foi a última escala do giro diplomático de Zarif, depois de ter passado por Pequim e Moscou. Tanto a China quanto a Rússia reafirmaram o compromisso sobre o acordo nuclear multilateral com o país persa.

O Brasil também está na expectativa do anúncio das sanções americanas para reavaliar suas relações comerciais com Teerã. 

Investimentos europeus no Irã

Apesar de possuir a quarta maior reserva de petróleo bruto e a maior reserva de gás natural do mundo, o Irã é dependente do petróleo importado. As sanções unilaterais que serão impostas pelo governo americano não devem impedir que o país continue produzindo quase 4 milhões de barris por dia. O grande receio é que as empresas europeias tenham que abandonar o país.

A gigante francesa Total, por exemplo, já assinou um contrato de US$ 1 bilhão para explorar um campo offshore de gás natural, em joint-venture com a chinesa CNPC. Outra multinacional francesa, a Peugeot-Citroen, fabrica carros em parceria com uma indústria local. A Renault também investe no Irã e a venda de automóveis no país representa 4% do total da empresa. Outras empresas europeias incluem a Siemens, Volkswagen, Airbus, Shell, British Airways, Lufthansa, Daimler, Accor e Meliá. No ano passado, as trocas comerciais entre União Europeia e Irã foram de US$ 25 bilhões. 

O Irã afirmou que permaneceria comprometido com o acordo – mesmo sem a participação dos EUA – se Teerã conseguir atingir seus objetivos em relação aos outros países signatários do pacto – China, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha e França. A proteção contra sanções em setores-chaves da economia como o petróleo, por exemplo, é fundamental para os iranianos.

Opções de garantia em discussão na cúpula de Sofia

A mensagem dos dirigentes do bloco em Sofia, na Bulgária, será “se o Irã respeitar seus compromissos, a União Europeia vai cumprir com os seus”, garantiu o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Os europeus tentam evitar que Teerã se retire do acordo e retome seu programa nuclear; ao mesmo tempo, estudam como manter as empresas do bloco investindo no país persa. Em Sofia, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker deve apresentar “diferentes opções para proteger os interesses econômicos das empresas do bloco no Irã” e líderes da UE devem adotar uma posição sobre a questão durante o jantar de trabalho, na quinta-feira. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini deve reportar a seus colegas o que discutiu com o chanceler iraniano.

O que está previsto no acordo nuclear com o Irã

Após anos de duras negociações, Irã e o chamado Grupo 5+1 – EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, Alemanha e China – assinaram um acordo histórico em julho de 2015. Este pacto permitiu pôr um fim em parte das sanções fazendo com que o Irã saísse do isolamento. Em troca, Teerã aceitou congelar seu programa nuclear. O acordo, com o apoio da ONU, estaria em vigor até 2031.

Com o acordo, as principais instalações nucleares do Irã tiveram seu funcionamento limitado e a Agência Internacional de Energia Atômica pode ter acesso às inspeções. O enriquecimento do urânio foi limitado e o uso do plutônio impedido. Ambos são usados em armas nucleares. O número de centrífugas para enriquecimento de urânio diminuiu bastante e o país persa reduziu em 98% o estoque do material. Em relação à economia, os países suspenderam a maior parte das sanções contra Teerã e US$ 100 bilhões de recursos do país, que estavam congelados, foram liberados.

Protestos contra padre acusado de abuso sexual marcam visita do Papa aos países bálticos

Destituição do chefe da agência de inteligência alemã abala governo Merkel

70° Emmy é marcado por pedido de casamento e premiação de “The Marvelous Mrs. Maisel”

Hong Kong se recupera da passagem do tufão Mangkhut, o mais forte que já atingiu o território

Em Berlim, congresso sobre violência sexual destaca casos na Igreja Católica

25 anos depois, Acordos de Oslo entre Israel e Palestina parecem cada vez mais distantes

Primárias em Nova York podem concretizar "ano da mulher" do Partido Democrata

Ameaças de sanções contra o Tribunal Penal Internacional reforçam opção isolacionista dos EUA

Suécia: eleições devem confirmar avanço de partido da extrema-direita e anti-imigração

Devido ao Brexit, Reino Unido perde apoio dos países europeus no caso Skripal

Acusado de apoiar terrorismo, Catar pode virar ilha e ficar totalmente isolado

Aufstehen, movimento de esquerda e anti-imigração, é lançado na Alemanha

Ministro italiano pode ser afastado do cargo por bloquear migrantes na Sicília