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Governo catalão nomeia presos e exilados: Madri denuncia provocação

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Quim Torra, novo presidente regional da Catalunha, apresentando pelo destituído Carles Puigdemont. REUTERS/Albert Gea

O presidente regional catalão, o separatista Quim Torra, nomeou neste sábado (19) um governo que inclui quatro ministros exilados ou em prisão preventiva, por seu papel na tentativa de independência do ano passado, um anúncio mal recebido por Madri, que tachou o ato de "provocação".


Em virtude do decreto de nomeação, Torra restabeleceu em seus cargos quatro membros do anterior governo separatista de Carles Puigdemont.

O anúncio deste sábado (19) caiu como uma ducha de água fria para o Executivo central de Mariano Rajoy, que anteriormente advertiu que o governo catalão devia ser "legal e viável" e que "factivelmente não é possível" ter vários de seus membros exercendo a função da prisão.

Em comunicado oficial, o governo espanhol qualificou como "nova provocação" a lista de conselheiros do governo catalão, já que "vários deles estão foragidos da Justiça, ou em situação de prisão provisória".

Também acrescentou que "analisará a viabilidade" do governo catalão, o que sugere que manterá em suspenso a publicação do decreto de nomeação. Trata-se de uma competência de Madri, e é essencial para o executivo de Quim Torra começar a trabalhar formalmente.

Entre presos e exilados

Entre os quatro ministros regionais em questão estão Jordi Turull (conselheiro da Presidência) e Josep Rull (Território e Sustentabilidade), os dois em prisão preventiva. Suas defesas solicitaram ao Tribunal Supremo que sejam colocados em liberdade provisória para que assumam o cargo em 23 de maio e possam exercê-lo, segundo um texto recebido pela agência AFP.

Os outros dois são Toni Comín (Saúde) e Lluís Puig (Cultura), instalados em Bruxelas e cuja extradição é reclamada pela Espanha dentro da mesma causa.

Torra assinou o decreto de nomeação no dia seguinte de ter pedido por carta a Rajoy uma reunião nos próximos dias, "sem condições" e para "falar sobre tudo". Uma oferta que, de acordo com o Executivo central, "durou menos de 24 horas", e que, à luz da lista de conselheiros anunciados neste sábado, "não é sincero".

Contando com Torra, o novo governo catalão conta com 14 membros, entre eles apenas três mulheres.

Amigos de Puigdemont

Constam, no entanto, vários amigos íntimos do ex-presidente Puigdemont, como Elsa Artadi, uma das líderes de sua lista conservadora "Juntos pela Catalunha", nomeada conselheira de Empresa; e Miguel Buch, novo conselheiro do Interior, e, portanto, responsável pela polícia regional catalã.

Como vice-presidente do governo catalão e conselheiro da Economia foi nomeado Pere Aragonés, dirigente do "Esquerra Republicana de Catalunya" (ERC), que sucede no cargo o líder deste partido, Oriol Junqueras, em prisão preventiva por supostos crimes de rebelião e malversação.

No Ministério das Relações Exteriores, foi nomeado outro dirigente do ERC, Ernest Maragall, irmão do socialista Pasqual Maragall, que foi presidente da Catalunha entre 2003 e 2006.