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Opinião: Meghan é “salvação” para modernizar imagem da monarquia britânica

Por Alfredo Valladão

Um terço da humanidade assistiu o casamento de Meghan e Harry. Record absoluto: até os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo de futebol foram passados para trás. A família real britânica mostrou mais uma vez ser o maior produtor de shows do planeta. Claro, a noiva é absolutamente fofa. E o príncipe é um jovem gentleman, cuja tristeza pela morte trágica da mãe – a princesa Diana – suscita um imenso carinho na opinião pública.

Mas esse conto de fadas, não explica, por si só, o entusiasmo geral de mais de dois bilhões de espectadores. E das dezenas de milhares de pessoas que vieram do mundo inteiro para assistir – por poucos segundos – a passagem do landau dos recém-casados. Sobretudo que Harry de Windsor (número seis na lista sucessória) e Meghan Markel, nem rei nem rainha serão. Salvo um roteiro shakespeariano de traições e assassinatos na família real.

O interesse na boda não vem tanto da bela história de amor. A monarquia britânica sempre soube utilizar sua pompa para servir os interesses geopolíticos do Reino Unido.

Quando a rainha Elisabeth II autorizou o casamento de seu aristocrático neto com uma plebeia – ainda por cima americana, divorciada, mulata, feminista convicta e mais velha do que ele – ela sabia perfeitamente que ia mexer na imagem tradicional da realeza.

A mais antiga monarquia do mundo, engonçada nos seus rituais, precisava de uma “modernizada”, de um upgrade na sua função de representação. Britânia não é mais a “imperadora dos mares”. Hoje é um país multicultural, multirracial, com uma economia ultramoderna e inovadora, e uma sociedade hiperconectada, extremamente tolerante em matéria de religião, cultura e costumes.

"Abraçar" as antigas colônias

O voto que decidiu a retirada do Reino Unido da União Europeia – o “Brexit” – é um tiro no pé, mas também despertou a vocação universalista dos ingleses, a vontade de comerciar e de abraçar o mundo inteiro, particularmente as antigas colônias africanas ou asiáticas.

E nesse imaginário – feito de nostalgia da glória imperial e de afinação com esses tempos de globalização – o restabelecimento de uma relação estreita com os Estados Unidos, a superpotência anglo-saxônica global, voltou a ser a prioridade absoluta.

Sonhos de uma noite de verão? Sem dúvida: a Grã-Bretanha não tem tanto cacife. Mas ficou evidente que a monarquia tinha de se adaptar aos novos tempos e às novas esperanças e modo de vida de seus súditos.

Meghan Markle, a atriz afro-americana que vai "modernizar" a imagem da monarquia britânica. 19/05/2018. REUTERS/Darren Staples

Meghan, o novo "espírito britânico"

A atriz norte-americana Meghan Markel foi a salvação da lavoura. Além de bonita, elegante e maravilhosamente charmosa, ela tem tudo para incarnar esse novo espírito britânico. E a sua forte personalidade já mostrou que não tem medo de balançar o coreto da casa de Windsor.

A cerimônia do casamento, televisada para o mundo inteiro, transformou-se numa mistura de tradição – que faz a força da realeza inglesa – com um estouro de modernidade. Meghan, num vestido branco espetacular e sóbrio, entrou na igreja sozinha. Nada de ser “entregue” ao altar por um pai. Só aceitou o braço solícito do sogro, o príncipe Charles, para os últimos metros da caminhada.

Quando chegou perto de Harry disse um simples “Oba!”. Nova duquesa sem dúvida, com todas as obrigações do cargo, mas não uma princesinha submissa e obediente.

Foi ela que impôs na cerimônia a forte presença da cultura afro-americana: um coro de gospel negro e o sermão dum reverendo americano negro, no estilo exaltado e acalorado das igrejas baptistas negras. Uma performance que incomodou claramente vários membros da casa real. Sem falar dos seis metros de cauda do vestido, bordados com motivos de todos os países do Commonwealth.

A festa era para a Inglaterra e o mundo. E Harry estava visivelmente encantado com a noiva e com tudo que ela trazia na bagagem. O mundo assistiu, ao vivo, o nascimento da Grã-Bretanha e da monarquia do século XXI. “God Save the Queen!”

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