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Bruxelas Mark Zuckerberg Desculpas Parlamento Europeu

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"Foi um erro, sinto muito": CEO do Facebook se desculpa no Parlamento de Bruxelas

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Mark Zuckerberg, CEO do de Facebook, e o presidente do Parlamento europeu, Antonio Tajani, em Bruxelas, em 22 de maio de 2018. REUTERS/Yves Hermann

Depois de Washington, Bruxelas. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, pediu desculpas nesta terça-feira (22) ao Parlamento Europeu, como havia feito com parlamentares norte-americanos, pela fragilidade da rede social na proteção dos dados de seus usuários, revelada no escândalo com a Cambridge Analytica.


Terno escuro e gravata cor de vinho, Zuckerberg parecia sorridente, mas um pouco rígido, sentado ao lado do presidente do Parlamento, Antonio Tajani, atento às perguntas dos líderes dos grupos políticos do Parlamento europeu.

A audiência em Bruxelas foi realizada na frente de um pequeno grupo de eurodeputados, mas foi transmitida ao vivo pela internet, sob a pressão de vários partidos políticos. Falsas informações, interferência do exterior em eleições ou desenvolvedores usando informações pessoais maliciosas: o Facebook não esteve à altura de suas responsabilidades.

 "Foi um erro, me desculpem", disse Zuckerberg em sua introdução. Como havia dito em Washington no mês passado. "Ficou claro nos últimos dois anos que não fizemos o suficiente para impedir que as ferramentas que criamos sejam usadas para fins prejudiciais", admitiu o chefe bilionário da rede social.

O novo pedido de desculpas do fundador do Facebook fez com que ele fosse provocado por Guy Verhofstadt, o líder dos liberais (grupo ALDE). "Já foram três pedidos de desculpas desde o começo do ano", disse ele, questionando o grau de controle que Zuckerberg tem sobre seus negócios. "Há um grande problema que não será resolvido apenas dizendo que vamos resolvê-lo nós mesmos", insistiu.

Controle e responsabilidade

A presença em Bruxelas de Mark Zuckerberg acontece três dias após a entrada em vigor na sexta-feira (18) da legislação europeia para proteger melhor os dados pessoais dos europeus, uma dos mais avançadas nesta área.

O patrão do Facebook garantiu que sua rede social compartilhava plenamente os três princípios centrais da nova regulamentação européia: "Controle, Transparência e Responsabilidade". "Ainda estaremos nos sujeitando a essas regras de maneira mais profunda", ele prometeu: o Facebook oferecerá o mesmo grau de controle para "todos os seus clientes" no mundo.

Em particular, com a possibilidade de apagar seu histórico pessoal da mesma forma que se pode apagar "cookies" na internet.

Mais usuários na Europa do que nos EUA

"Há mais usuários do Facebook na UE do que nos Estados Unidos e os europeus merecem saber como seus dados estão sendo aproveitados de maneira irregular", argumentou a Comissária Europeia para a Justiça, Vera Jourova.

De acordo com dados comunicados pelo Facebook, os dados "até 2,7 milhões de europeus" foram transmitidos "de forma inadequada" à empresa Cambridge Analytica, envolvida na campanha presidencial de Donald Trump.

Jourova tem repetidamente agradecido ironicamente Zuckerberg nas últimas semanas por este escândalo ter provado a necessidade de regras rígidas de segurança na internet, apesar da relutância dos principais empresários do setor, que consomem grandes quantidades de dados pessoais dos consumidores.

Em Washington, Zuckerberg classificou como "passos positivos" as novas regras que entram em vigor em 25 de maio na UE. O "Regulamento Geral de Proteção de Dados" (RGPD) irá criar ou reforçar os direitos individuais e impor obrigações estritas às empresas que recolhem ou processar dados pessoais de europeus, onde quer que estejam.

Um dia depois de sua visita a Bruxelas, Zuckerberg deve fazer parte dos 50 chefes de grandes empresas digitais que serão recebidos em Paris pelo presidente francês Emmanuel Macron.