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Livro conta como Lisboa se tornou o “centro do mundo” na Segunda Guerra

Por Silvano Mendes

O jornalista e escritor suíço Patrick Straumann lança pela editora Chandeigne o livro Lisbonne ville ouverte (Lisboa cidade aberta), obra que conta como a capital portuguesa acolheu, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de pessoas que fugiam dos conflitos no resto do continente. Artistas, intelectuais e cientistas, muitos deles judeus, viram no país a última porta para escapar da Europa reprimida pelo nazismo.

Os refugiados passaram por Lisboa no início dos anos 1940, com o objetivo de embarcar para os Estados Unidos ou para a América Latina. Em meio aos milhares de anônimos, vindos dos quatro cantos do continente, alguns nomes conhecidos, como Salvador Dalí, Marc Chagal, Man Ray, ou ainda Antoine Saint-Exupéry, viveram temporariamente na capital, esperando o embarque.

“Esse livro é uma soma de destinos completamente diferentes, mas todos se cruzaram na capital portuguesa”, explica o autor. “Lisboa já era a capital do mundo no início do século 16 e eu acho que a cidade, de uma certa maneira, se lembrou desse jeito de estabelecer contatos com o mundo inteiro”, comenta Patrick Straumann.

O livro, que tem como fio condutor principal as diferentes personalidades que passaram pela cidade, se baseia em uma vasta pesquisa histórica, cruzando documentos oficiais e relatos da época, que mostram como a capital portuguesa vivia uma situação excepcional, apesar da guerra. Os jornais de 1940, como o Diário de Notícias, citado no livro, afirmava que Lisboa havia se tornado “a estação balneária ocidental da Europa”. Já Saint-Exupéry dizia que a cidade vivia um clima de festa, mesmo se “escondia uma tristeza atrás de seu sorriso”.

Segundo Straumann, esse paradoxo se deve ao fato de que “todos ali tinham a experiência de uma Europa sob as bombas, destruída, onde as pessoas nem podiam acender as luzes durante a noite por medo de serem bombardeadas. Então essa cidade, iluminada durante a noite, onde todos, ou pelo menos os mais ricos, podiam comer nos restaurantes, criou um contraste muito forte com o que o povo vivia no resto da Europa”.

Avô do autor também é personagem do livro

A parte mais pessoal do livro vem com a introdução do personagem de Tadeaus Reichstein, avô do autor, que também passou por Lisboa, em 1940. O químico polonês naturalizado suíço, reconhecido internacionalmente, inclusive com um prêmio Nobel, embarcou da capital portuguesa para os Estados Unidos, depois de atravessar a França ocupada e Espanha destruída. “Foi uma aventura”, afirma Straumann, ao se recordar dos relatos do avô durante sua infância.

Mas o que chama a atenção na história é o fato de que Reichstein voltou para a Europa, apesar dos riscos que corria, mesmo tendo um passaporte suíço. “Ele era judeu, imigrante da Polônia. Para mim, até hoje essa decisão de voltar é incompreensível”, conta o autor, que tenta entender durante o livro essa escolha do avô. “Qual seria o destino dele e qual seria o nosso destino se ele não tivesse tomado essa decisão”, questiona Straumann.

Assista a entrevista completa no vídeo abaixo ou clique na foto acima.

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