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Imprensa duvida que reunião de Macron com Putin possa aproximar Rússia da Europa

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Os jornais franceses analisam a viagem do presidente Emmanuel Macron à Rússia, na tentativa de estreitar os laços entre Paris e Moscou. Fotomontagem RFI

Os principais jornais franceses desta quinta-feira (24) tratam do encontro entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o presidente russo, Vladimir Putin, em São Petersburgo. Na pauta da reunião, questões espinhosas sobre as quais a imprensa duvida que o chefe de Estado da França consiga trazer resultados.


O jornal Le Figaro destaca que o principal objetivo de Macron na Rússia é discutir estratégias para tentar salvar o acordo nuclear iraniano, abandonado recentemente pelos Estados Unidos. Mas o presidente francês pretende colocar outros assuntos em pauta, como o conflito no leste da Ucrânia e a guerra na Síria: duas questões sobre as quais França e Rússia divergem.

Em editorial, Le Figaro revela seu ceticismo quanto aos resultados concretos deste encontro "de machos brancos", classifica. Essa expressão, utilizada por Macron esta semana para desqualificar decisões tomadas a portas fechadas, sem conexão com a realidade do terreno, também se encaixa no diálogo com Putin. O jornal observa que na recente viagem que Macron fez aos Estados Unidos, apesar de toda a encenação com Donald Trump, o presidente francês voltou de mãos vazias. Isso porque – escreve o editorialista – "a França não passa de uma potência média".

O jornal Libération lembra que o encontro entre os dois líderes acontece um ano após Putin ter sido recebido com toda a pompa no Palácio de Versalhes pelo presidente francês. Doze meses depois de Macron começar a interferir no cenário diplomático internacional, diz Libé, "com base em seu princípio de 'conversar com todo mundo', poucas soluções foram encontradas" aos desacordos da França com a Rússia. Para o diário, essa situação provoca uma atmosfera ainda mais pesada nas relações entre os dois países – reforçada depois do envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal na Inglaterra.

Visita quase foi cancelada

Não é à toa que que a ida de Macron a São Petersburgo foi quase cancelada, salienta o jornal Les Echos. Uma fonte da diplomacia francesa declarou ao diário que Macron sofreu fortes pressões dentro do governo para não realizar a viagem. Por outro lado, assessores do presidente acreditam que o dossiê nuclear iraniano pode aproximar os dois países, depois de quatro anos de sanções europeias à Rússia – devido à anexação da Crimeia –, a guerra na Síria e o caso Skripal, que esfriaram as relações entre os dois países.

Uma fonte do Kremlin ouvida pelo jornal econômico declara que o encontro "tem grande valor" para Putin. Atualmente, o presidente russo considera Macron mais importante na Europa que do que a chanceler alemã, Angela Merkel. Aos olhos de Putin, o chefe de Estado francês "é mais flexível". "Em Moscou, Macron continua sendo apresentado como a melhor chance da Rússia criar uma ponte com a Europa", conclui o jornal, apostando que, "por precaução", certamente "não haverá troca de farpas sobre nenhuma das questões espinhosas" entre os dois países.