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"A Monsanto agora se chama Bayer", diz ONG alemã após fusão milionária

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Manifestante protesta contra fusão entre Bayer e Monsanto em Bonn, na Alemanha, em 25 de maio de 2018. REUTERS/Wolfgang Rattay

A Bayer, gigante alemã dos setores farmacêutico e agroquímico, anunciou nesta segunda-feira (4) que suprimirá a marca Monsanto depois de adquirir, por US$ 63 milhões, a empresa norte-americana de sementes e pesticidas.


"A Bayer continuará sendo o nome da empresa. A marca Monsanto não será mantida", afirmou um comunicado divulgado nesta segunda-feira pelo grupo alemão, que deseja concluir a fusão na quinta-feira (7).

A nova empresa conservará a linha de produtos da Monsanto, onde consta o Roundup - um dos herbicidas mais usados no mundo, apesar de classificado como “cancerígeno” por alguns estudos recentes -, mas deixará de usar o nome da marca que foi objeto, durante décadas, dos protestos dos ativistas do meio ambiente.

Liam Condon, diretor da divisão agroquímica da Bayer, afirmou que os funcionários do grupo norte-americano "estão orgulhosos de seus produtos". Também destacou que há alguns anos a Monsanto pensou em mudar de nome, mas desistiu por questões de custo. A Bayer vai manter o nome de marcas muito conhecidas entre seus clientes agricultores como Dekalb (sementes de milho e colza), Seminis (sementes hortícolas) ou De Ruiter (sementes hortícolas).

A Monsanto foi objeto de vários processos por questões de saúde ou de efeitos nocivos para o meio ambiente atribuídos a seus produtos.

Bayer quer reforçar setor agroquímico

Ao mesmo tempo, a compra da Monsanto por 63 bilhões de dólares, um valor sem precedentes para um grupo alemão na aquisição de uma empresa estrangeira, é um momento histórico para a Bayer, cujo objetivo é reforçar consideravelmente sua divisão agroquímica, a segunda em importância no grupo, atrás apenas da farmacêutica.

Para financiar a operação, a Bayer anunciou no domingo uma ampliação de capital de € 6 bilhões e uma dívida de mais de US$ 30 bilhões, o que nesta segunda-feira levou a agência de classificação financeira Standard and Poor's a reduzir sua nota de crédito a longo prazo de "A-" a "BBB".

O anúncio da fusão, em maio de 2016, foi o resultado da aposta da Bayer em uma agricultura cada vez mais intensiva, em um planeta que terá 10 bilhões de habitantes em 2050, mas que não possui terras cultiváveis suficientes para alimentar a todos. A Monsanto, empresa fundada em 1901 pelo químico John Francis Queeny, se concentrou a partir dos anos 1990 na química agrícola e se especializou nos produtos fitossanitários e sementes.

As agências que regulamentam a concorrência nos Estados Unidos e na Europa autorizaram a operação, mas obrigaram a Bayer a vender parte de suas atividades à rival alemã BASF. Após a fusão, a divisão agroquímica da Bayer terá um faturamento de quase € 20 bilhões, valor que já leva em consideração a venda de atividades para a BASF, que representam quase € 2 bilhões.

A nova empresa vai superar as concorrentes do setor que concretizaram fusões recentemente: ChemChina, que se uniu à suíça Syngenta, e Dow com DuPont, duas empresas americanas. "Para nós, a Monsanto agora se chama Bayer", afirmou a associação ecologista Bund, enquanto o Greenpeace pediu "uma mudança fundamental da política comercial da nova megaempresa".

"Vamos ouvir os que nos criticam e vamos trabalhar juntos, mas o progresso não deve ser detido pelo fortalecimento das frentes ideológicas", declarou Werner Baumann, presidente da Bayer.