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Barcos italianos vão levar imigrantes resgatados até a Espanha

Os 629 imigrantes resgatados na costa líbia pelo navio Aquarius, que pertence às organizações Médicos Sem Fronteiras e SOS Mediterrâneo, serão levados para a Espanha a bordo de dois barcos italianos.

  

Gina Marques, correspondente da RFI na Itália

Os dirigentes nacionalistas da Córsega, ilha francesa situada no Mediterrâneo, se propuseram na manhã desta terça-feira (12) a receber o navio, antes da proposta das autoridades italianas. Segundo um comunicado divulgado pelo Centro de Coordenação de Roma da ONG SOS Mediterrâneo, uma parte dos imigrantes será transportada em um barco da guarda-costeira italiana e outro da marinha. As embarcações acompanharão o Aquarius até a Espanha.

De acordo com a porta-voz da ONG, Laura Garel, não há informações sobre a hora da partida, mas a travessia de 1300 quilômetros deve demorar pelo menos três dias. A marinha italiana abasteceu nesta manhã o barco com comida e produtos de primeira necessidade.

Novo barco deve chegar à Sicília

Os problemas continuam. Outro navio da Marinha italiana, com 937 migrantes a bordo e dois cadáveres, deve chegar hoje ao porto de Catânia na Sicília. Eles foram socorridos no mar Mediterrâneo por navios mercantis e transferidos para a embarcação Diciotti, da guarda-costeira. Como se trata de um navio da Marinha militar, a Itália não pode negar o desembarque em seus portos, porém é um Estado soberano e pode negar que uma embarcação estrangeira atraque em seus portos em caso de violação das leis italianas e risco para a paz no país.

No caso do Aquarius, o navio transporta os sobreviventes que foram resgatados sob a coordenação das autoridades italianas, de modo que a Itália é responsável pelo destino dessas pessoas.

O socorro marítimo significa também transportar as pessoas até um porto seguro. Ao abdicar dessa responsabilidade, a Itália viola as normas e tratados internacionais. Além disso, a bordo há sete mulheres grávidas, onze crianças e 123 menores desacompanhados. Há perigo de vida para as pessoas a bordo.

Para a Associação dos Estudos Jurídicos sobre a Imigração, negar o desembarque de um navio transportando imigrantes resgatados sob a coordenação das autoridades italianas viola três convenções internacionais ratificadas pela Itália em 1979, 1980 e 1994 e regras estipuladas pela União Europeia.

Governo italiano "canta vitória"

O novo ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, que também é vice primeiro-ministro e líder da Liga, partido ultranacionalista e de extrema-direita, está deixando clara sua intenção de adotar uma linha mais rígida em relação à imigração.

Salvini conseguiu que o contrato de governo com o Movimento 5 Estrelas incluísse em grande parte o programa da Liga, que defende a criminalização de imigrantes e refugiados. Na Itália, atualmente há cerca de 500 mil pessoas em situação irregular, e a promessa é expulsá-las. Além disso, Salvini quer reduzir drasticamente o financiamento diário de € 35 (cerca de R$ 170) para cada imigrante.

Tragédia humana

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), desde o início de 2018, 792 migrantes morreram durante a travessia. Isso eleva o número de imigrantes que morreram ou desapareceram no mar Mediterrâneo para mais de 15.000 desde 2014. O equivalente a dez pessoas por dia. Nesta segunda-feira (11), na embaixada da Suíça, em Roma, houve um evento com as famílias dos imigrantes que desapareceram na região do Mediterrâneo, organizado pela Comissão Internacional sobre Pessoas Desaparecidas (ICMP).

Para além do impacto emocional da perda, a comissão salienta que a maioria dos imigrantes são homens e que as mulheres que permaneceram nos países de origem e se tornaram responsáveis pela sobrevivência da família. Em vários casos, a ausência ou a morte de um dos pais ou cônjuge é usada como pretexto para privar outros membros da família de seus direitos, incluindo a negação de herança, a falta de acesso a cuidados de saúde e educação.

Existem iniciativas nacionais de identificação dos corpos, na Grécia e na Itália, que já recolheram 8000 corpos de migrantes, mas há falta de cooperação internacional. Há uma obrigação legal de buscar as circunstâncias da morte de seus cidadãos, mas também de não-cidadãos, mas a identificação é cara. As identificações são feitas com teste de DNA, objetos pessoais ou documentos. No entanto, a redução dos financiamentos para os imigrantes vivos dificulta ainda mais a identificação dos mortos.

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