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Londres: um ano após incêndio na Torre Grenfell, 68 famílias seguem sem moradia

O Reino Unido lembra nesta quinta-feira (14) um ano do incêndio que deixou 72 mortos em um prédio residencial no oeste de Londres. A tragédia da Torre Grenfell expôs as condições precárias de muitas moradias populares do Reino Unido e revelou falhas na maneira como as autoridades vêm lidando com as dezenas de famílias que ainda estão em alojamentos temporários. Até hoje, 68 famílias que viviam no local seguem desalojadas. 

Maria Luísa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Desde a noite de quarta-feira (13), estão sendo realizadas missas e vigílias em homenagem às 72 pessoas que morreram como consequência do incêndio. A estrutura que restou da torre Grenfell foi, ao longo deste ano, revestida por uma lona branca. E às 0h54 desta quinta-feira, o mesmo horário em que o corpo de bombeiros recebeu a primeira chamada de alerta para o fogo, o prédio foi iluminado com uma luz verde, a cor que simboliza a campanha de solidariedade às vítimas. 

Outros prédios vizinhos também foram iluminados de verde, assim como a residência oficial da primeira-ministra britânica, Theresa May, em Downing Street. Ao meio-dia desta quinta-feira, o país observa um minuto de silêncio.
 
O incêndio da Torre Grenfell chocou o mundo pela dimensão de uma tragédia na capital dos países mais ricos do mundo em pleno século 21. Passado um ano, ainda pairam dúvidas sobre as causas do incêndio. Um inquérito aberto no ano passado tenta explicar como uma falha elétrica em uma geladeira em um dos apartamentos acabou resultando na destruição total de um prédio de 23 andares em questão de horas. 

Críticas contra premiê britânica
 
O governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, foi duramente criticado pela maneira como lidou com a tragédia e porque dezenas de famílias continuam desalojadas até hoje. Até hoje, 68 famílias ainda estão vivendo em hotéis ou com amigos, esperando uma nova casa, embora o governo tenha prometido, na época, que a situação seria resolvida em três semanas. 

Um dia depois da tragédia, a primeira-ministra foi até a torre para parabenizar bombeiros e equipes médicas, mas se recusou a encontrar com moradores que estavam temporariamente alojados em uma igreja próxima. Na ocasião, Theresa May saiu do local sendo xingada, e foi acusada pela imprensa e por ativistas de ser incapaz de sentir compaixão. 

No dia seguinte, a rainha Elizabeth visitou as vítimas, acompanhada do príncipe William, o que também não pegou nada bem para a primeira-ministra. May também foi criticada por não incluir representantes da associação de moradores no inquérito público que investiga o incêndio. 

Recentemente, Theresa May autorizou que um painel de moradores participe do inquérito. E, esta semana, ela declarou que “vai se arrepender para sempre” de não ter se encontrado com as vítimas naquele dia. Ela fez uma autocrítica sobre a maneira como seu governo lidou com a situação nas primeiras semanas, mas disse que isso melhorou ao longo deste ano. 

No entanto, para os diversos grupos de moradores que hoje fazem campanha para que os responsáveis pela tragédia sejam punidos, o arrependimento de May chega tarde demais. 

O fato é que o caso expôs a extrema disparidade que existe hoje no Reino Unido entre as condições precárias de moradia da classe mais pobre, formada por imigrantes, e o luxo de mansões e apartamentos em um país que tem um dos metros quadrados mais caros do mundo. Passado um ano, outros 300 prédios com os mesmos problemas da Torre Grenfell continuam sem a vistoria e a manutenção necessárias para evitar outra catástrofe.

Um ano depois, dúvidas sobre as causas do incêndio

A investigação aponta para o material usado no revestimento do edifício depois de uma reforma concluída em 2016. Na ocasião, a fachada de concreto do prédio foi toda revestida por lâminas de alumínio estofadas com polietileno, para fins de isolamento térmico e também por motivos estéticos. Especialistas afirmam que foi por causa desse material, e também das colunas de ar entre o revestimento e o concreto, que o fogo se alastrou tão rapidamente pelo prédio. 

Outro fator que contribuiu para a tragédia foi o fato de, nas duas primeiras horas, os moradores terem sido orientados a permanecer no edifício, na esperança de que o fogo pudesse ser contido. A torre servia como moradia popular, com mais de 200 apartamentos, e era administrada pela subprefeitura de Kensington e Chelsea, onde, ironicamente, também moram as pessoas mais ricas do país. 

Nos dias que se seguiram ao incêndio, sobreviventes revelaram que há meses vinham chamando a atenção das autoridades para vários problemas que violavam as normas de segurança e que podiam representar um risco em caso de incêndio, como a ausência de sprinklers e apenas uma escada estreita em todo o prédio. O inquérito ainda está aberto e terá uma nova fase para apurar as responsabilidades da subprefeitura, mas essa etapa só deve começar no ano que vem.
 

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