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França vai receber migrantes do navio Aquarius, após nova recusa da Itália

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Migrantes cantam a bordo do Aquarius, em direção à Espanha, em 16 de junho de 2018. Karpov / SOS Mediterranee/handout via REUTERS

O governo espanhol anunciou neste sábado (16) que aceita a oferta de acolher migrantes do navio Aquarius, uma vez que sua situação tiver sido avaliada na Espanha, onde espera-se que o navio atraque neste domingo. "A França colaborará na acolhida dos migrantes do Aquarius", anunciou a vice-presidente do governo espanhol, Carmen Calvo, em nota. Neste domingo (17), dos 630 imigrantes, 106 vão chegar à Espanha a bordo do Aquarius e o restante em dois navios cedidos pela marinha italiana, por volta do meio-dia. 


Segundo um presidente da organização Médico Sem Fronteiras", um navio espanhol vai desejar "boas vindas" aos estrangeiros, que estão na Europa há uma semana. Madri afirmou que "a França aceitará os migrantes que, após sua chegada ao porto de Valência, e uma vez cumpridos todos os protocolos estabelecidos pelo procedimento de acolhida, manifestem seu desejo de ir para este país".

Na quinta-feira (14), a França afirmou estar disposta a receber os migrante do Aquarius "que cumpram com os critérios de direito de asilo". A vice-presidente do governo espanhol anunciou ter aceitado a proposta, "após ter uma conversa com o embaixador deste país (França) na Espanha".

O presidente espanhol, Pedro Sánchez, "agradece ao presidente Macron por sua cooperação" e "considera que este é o marco de cooperação com o qual a Europa deve responder" à questão da imigração, segundo o comunicado.

Nova recusa da Itália

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, voltou a afirmar neste sábado que não autorizaria os barcos das ONGS que ajudam imigrantes a atracar nos portos do país. O governo italiano recusou, no último dia 10 de junho, receber os náufragos resgatados na costa líbia pelo Aquarius, embarcação gerenciada pela associação SOS Mediterrâneo e Médicos Sem Fronteiras, gerando uma nova crise política na Europa sobre a questão migratória.

O Aquarius e outras duas embarcações que carregam 630 imigrantes devem chegar ao porto de Valência, na Espanha, neste domingo. Salvini, líder do partido de extrema-direita, Liga, recusou o acesso do navio aos portos italianos, justificando que as ONGS "seriam cúmplices dos coiotes" atravessadores que lucram trazendo clandestinos para a Europa. A afirmação do ministro italiano do Interior gera uma nova tensão entre o país e França, acusada de não  intervir para ajudar os estrangeiros recolhidos pelo barco. 

Nesta sexta-feira (15), a visita do chefe do governo italiano Giuseppe Conte, à Paris, pareceu apaziguar as tensões. Mas neste sábado, Salvini voltou a dizer que a Itália não deve receber os clandestinos. "Dois outros navios da Holanda chegaram à cota da Líbia, esperando a carga de humanos abandonados pelos coiotes", escreveu o ministro em sua conta no Facebook. "Esses senhores devem saber que a Itália não será mais cúmplice da imigração clandestina, e que eles deverão buscar outros portos. Sendo ministro e pai, faço isso pelo bem de todos".