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EUA superam Alemanha em pedidos de asilo em 2017, revela OCDE

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Campo de detenção de imigrantes em Rio Grande (Texas), na fronteira do México com os Estados Unidos. ©Reuters

A lista de países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) com mais pedidos de asilo em 2017 foi liderada pelos Estados Unidos, que superaram a Alemanha. A primeira economia da União Europeia estava em primeiro lugar desde 2013. Em seu comunicado, a OCDE pede a Washington para não ignorar as preocupações com a questão migratória.


As solicitações de asilo aumentaram 26% nos Estados Unidos no ano passado, alcançando 330.000 pedidos no total, destacou a OCDE em seu relatório "Perspectivas das Migrações Internacionais 2017". O documento é publicado no momento em que aumenta a indignação com as medidas de separação de famílias sem documentos na fronteira com o México.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou esta semana que seu país "não será um campo de imigrantes e não será um complexo de detenção de refugiados", antes de citar a crise migratória na Europa para justificar suas polêmicas medidas de tolerância zero. Segundo um levantamento do Senado americano, 2.342 menores imigrantes foram separados de seus pais entre 5 de maio e 9 de junho, após as famílias entrarem ilegalmente no país. Entre elas, havia oito crianças brasileiras, de acordo com informações do Consulado Brasileiro em Houston citadas pelo site G1.

Quase 40% das pessoas que pedem refúgio nos Estados Unidos são salvadorenhos, venezuelanos e guatemaltecos, informa a OCDE, que tem sede em Paris. A Europa registra a chegada principalmente de refugiados sírios, afegãos e iraquianos.
   
A Alemanha teve uma queda de 73% nos pedidos de asilo na comparação com o recorde registrado em 2016, quando o país recebeu 198.000 solicitações. Itália (127.000), Turquia (124.000) e França (91.000) aparecem em seguida na lista do organismo.

No total, os países da OCDE receberam 1,64 milhão de solicitações em 2017, uma recuo em relação ao ano anterior (1,23 milhão). Aos números de 2016, devem ser adicionados os 550.000 sírios que entraram na Turquia sem pedido de asilo.
   
"Estamos nos afastando do auge da crise de refugiados e estamos entrando em uma fase complexa, na qual a integração destas pessoas é a prioridade", afirma no relatório Stefano Scarpetta, diretor de Assuntos Sociais da OCDE.
   
Impacto no mercado de trabalho
   
A chegada dos refugiados representa grandes desafios para os países de acolhimento, sobretudo no que envolve a integração dessas pessoas ao mercado de trabalho, destaca a OCDE. De acordo com a organização, a entrada dos refugiados nos países membros da OCDE poderia aumentar a população ativa em 0,4% até o fim de 2020.
   
"Como a integração leva tempo, a chegada de novos refugiados pode contribuir para aumentar, ao menos a curto prazo, o número de pessoas desempregadas", indica Scarpetta. Por exemplo, a OCDE prevê um aumento do desemprego de "algo em torno de 6% até 2020". Na Suécia ou na Áustria, que também registram um importante fluxo de refugiados, o impacto será maior nas categorias da população com nível de educação baixo, que enfrentarão uma concorrência crescente dos migrantes e refugiados. "No entanto, os dados históricos mostram que a médio e longo prazo o impacto dos refugiados no mercado de trabalho é limitado e que, se existe um efeito, este é positivo", garante a OCDE.
   
O relatório também mostra que a Espanha, terceira via de entrada pelo mar na União Europeia, registrou um aumento de 6,6% nos pedidos de asilo em 2016.

As solicitações de venezuelanos, que fogem da crise aguda em seu país, dispararam e passaram de 585 em 2015 a 3.960 em 2016 e a mais de 10.600 em 2017.