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“Não conversar com Roma é se privar de informações privilegiadas”, diz jornal antes de encontro inédito entre Macron e o papa

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O Vaticano será o cenário do encontro inédito em o presidente francês e o papa Francisco, em 26 de junho de 2018. By Jean-Pol GRANDMONT - Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.

Tradicional jornal católico da França, o La Croix, embora assuma sua ligação com o dogma religioso do Vaticano num país que cultiva a laicidade, tem participação importante no debate público, sendo um veículo de imprensa respeitado na França. Em sua edição desta terça-feira (26), ele antecipa as questões que sobrevoam o encontro inédito entre o presidente francês, Emmanuel Macron, e o papa Francisco, que terá protocolos e símbolos que remontam à Idade Média. O que está em jogo, no entanto, vai muito além de pactos entre antigos monarcas franceses e o Vaticano, e Francisco e Macron “parecem estar conscientes disso”, segundo o periódico.


“Às vezes, relações diplomáticas podem ser resumidas em algo simples”, escreve La Croix. “Amanhã, em Roma, dois homens vão se conhecer”, continua o periódico, lembrando que “além dos personagens envolvidos, uma história muito longa será evocada. A França tem representação diplomática na Santa Sé desde 1465, a sua embaixada permanente mais antiga”, publica, numa referência ao Vaticano.

Segundo um hábito que remonta ao rei francês Henrique IV, Macron deverá receber um título eclesiástico cujo significado parece mais interessante do que o gesto em si. “Emmanuel Macron parece estar ciente, ao contrário de alguns de seus predecessores, que a Igreja Católica é um interlocutor que conta nas relações internacionais, por causa da rede global tecida pelos seus diplomatas, suas congregações religiosas ou suas universidades”, analisa La Croix. “Não conversar com Roma significa se privar de informações privilegiadas”, aponta.

Polêmica

Nicolas Sarkozy foi o último chefe de Estado, em dezembro de 2007, a respeitar essa tradição na imensa basílica principal de Saint-Jean-de-Latran, atribuída ao bispo de Roma (o Papa). Na ocasião, ele despertou polêmica na França, por seu discurso em louvor da fé, considerado muito pouco secular [laico]. O presidente Macron deverá cautelosamente abster-se na terça-feira de qualquer discurso no terreno minado pelo secularismo. "Ele não vai voltar para a França com um gorro escarlate e um vestido de padre, ele não está entrando numa ordem religiosa!", insistem seus conselheiros, em declarações à imprensa francesa.

La Croix destaca ainda que o papa e o presidente francês possuem convicções convergentes sobre tópicos importantes. “E, primeiro de tudo, um forte compromisso com a cooperação e o multilateralismo em uma era que parece se submeter a nacionalismos”, destaca o jornal, que lembra ainda que ambos os líderes pleiteiam um compromisso global em favor do meio ambiente e que “gostariam de tirar a Europa de sua rigidez doentia”.

No entanto, La Croix acredita também que ambos os homens deverão confrontar suas diferenças, especialmente em relação aos migrantes, à luta contra a pobreza ou a questões bioéticas. “A conversa, certamente, será tão franca quanto educada. Como deve ser entre duas pessoas que desejam se entender melhor”, finaliza o jornal.