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Itália precisa de imigrantes para pagar aposentadorias, diz chefe da Seguridade Social

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O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini. AFP/Tiziani Fabi

A Itália registra um declínio de sua população e reduzir o fluxo migratório coloca em risco o fundo de pensão das aposentadorias do país. A afirmação é de Tito Boeri, chefe do Inps, o órgão que gerencia a Seguridade Social italiana.


Segundo ele, a reforma da aposentadoria proposta pela maioria parlamentar, formada pelos partidos Liga, de extrema-direita, e o movimento antissistema Cinco Estrelas, vai custar caro aos cofres do governo. Uma das propostas é facilitar o processo para trabalhadores que queiram parar de trabalhar mais cedo.

O custo da reforma é orçado entre € 18 e 20 bilhões. “Uma das desilusões dos nossos jovens de hoje é que, independentemente do resultado das urnas, as propostas do governo sempre são favoráveis aos aposentados”, lamentou. Ele ainda disse que a economia italiana precisa da mão de obra dos imigrantes para executar tarefas que os italianos se recusam a executar, como as de assistentes de enfermagem e trabalhadores agrícolas.  

“Onde ele vive, em Marte?”

O ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que gerou polêmica se recusando a receber o navio Aquarius, ficou irritado com a declaração de Boeri, feita diante da Câmera dos Deputados. Ele defende que o país limite a entrada de imigrantes e disse que o presidente do Inps, um economista de centro-esquerda, “ignora que muitos italianos querem trabalhar e ter filhos. Onde ele mora, em Marte?”, perguntou.

Para o representante da Seguridade Social italiana, entretanto, essa política coloca o país em risco. Segundo Boeri, essa redução acarretaria, em cinco anos, a perda de uma população de 700 mil pessoas, o equivalente à população de Torino. Diante desse declínio demográfico, ele recomendou a manutenção do fluxo de imigração legal, que poderá assegurar o equilíbrio do fundo destinado às aposentadorias.