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“UE deve enfrentar Trump unida”: guerra comercial provoca reações em vários países

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Diversos países reagem a guerra comercial declarada por Trump REUTERS/Leah Millis

A confirmação desta sexta-feira (6) do começo da guerra comercial conduzida pelos Estados Unidos provocou diversas reações dos líderes europeus. O ministério da Economia e das Finanças francês fez um apelo para que a União Europeia (UE) continue unida diante das ameaças protecionistas de Donald Trump, e enfatiza que não haverá diálogo com Washington enquanto as medidas não forem interrompidas.


“Nossos princípios exigem que estejamos prontos para dialogar com os Estados Unidos, mas somente se as ameaças terminarem”, afirmou uma fonte do ministério da Economia e das Finanças francês. “A UE deve se manter numa posição unida frente aos Estados Unidos, é isso o que nos dará força.”

No dia 21 de junho, a União Europeia adotou medidas de retaliação contra dezenas de produtos americanos, em resposta às taxas instauradas por Washington sobre o aço e alumínio. A reação visa compensar cerca de € 2,8 bilhões do prejuízo gerado pelas tarifas americanas. Outros produtos dos Estados Unidos também podem ser taxados pela UE, se os países do bloco vencerem Washington diante da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O medo dos europeus é de que Trump comece a cobrar também pela importação de carros. Para defender a indústria automobilística, um dos tesouros da Alemanha, a chanceler Angela Merkel já se disse pronta para negociar com os Estados Unidos a respeito de uma diminuição geral nas taxas alfandegárias do setor.

Rússia vai impor sobretaxa para recuperar prejuízo

A Rússia anunciou nesta sexta-feira a introdução de sobretaxas em uma série de produtos americanos em resposta às barreiras alfandegárias impostas pelos Estados Unidos sobre o aço e o alumínio. “As medidas incluem taxas suplementares à importação, que podem ir de 25% a 40% do preço dos produtos”, indicou em um comunicado o ministro russo da Economia, Maxime Orechkine.

Formalizadas por um decreto assinado pelo primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, as medidas devem dar um lucro de US$ 87,6 milhões às empresas russas, o que compensaria apenas de maneira parcial o prejuízo de US$ 537,6 milhões causado pelos Estados Unidos.

Os produtos escolhidos para receber a sobretaxa são mercadorias “que também são produzidas na Rússia”, como tecnologias ligadas à construção de rodovias, ferramentas de tratamento de metais e fibras óticas. A Rússia pretende continuar a responder à guerra comercial dos Estados Unidos e aguarda uma decisão da OMC declarando as medidas americanas como “contrárias a suas regras”.

China parabeniza integridade europeia diante de Trump

O chefe do governo chinês Li Keqiang afirmou, por sua vez, que “uma guerra comercial não vai ajudar ninguém”. “Se um país quer aumentar seus direitos alfandegários, a China se defenderá. Uma guerra comercial afeta o comércio libre e o processo multilateral”, declarou.

Li Keqiang também parabenizou a UE por insistir no multilateralismo. “A China apoia a integridade europeia, uma força global pela paz. Sem a Europa, não haveria desenvolvimento global.” O ministro chinês do Comércio acusou Washington de ter “lançado a maior guerra comercial da história econômica.”

Ainda que a reação chinesa ainda não seja precisa, a China já advertiu que irá impor taxas rígidas equivalentes a US$ 34 bilhões de importações americanas.