rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês

Europa Ryanair Greve Blaise Compaoré

Publicado em • Modificado em

Greve Ryanair: redução da frota na Irlanda ameaça 300 postos de trabalho

media
Filas de passageiros da companhia aérea Ryanair em Valência, na Espanha, em 25 de julho de 2018. REUTERS/Heino Kalis

Começou nesta quarta-feira (25) uma greve maciça na Ryanair. A companhia aérea “low cost” (de baixo custo, em português), fundada há cerca de 30 anos na Irlanda, terá que cancelar 600 voos e cerca de 100 mil passageiros serão afetados pela decisão. Além disso, uma redução na sua frota na Irlanda ameaça 300 postos de trabalho, enquanto a presença da tripulação em aeronaves já se encontrava em declínio em vários países europeus.


Os sindicatos convocam os atendentes de bordo da empresa Ryanair para processarem a companhia aérea na Espanha, Portugal, Itália e Bélgica, pedindo que apliquem a legislação dos países em que trabalham. O advogado Didier Lebbe, responsável pelo processo da Ryanair para o sindicato belga CNE, deseja unificar os contratos dos profissionais que prestam serviços para a empresa, segundo afirmou em entrevista à RFI.

“O que nós queremos é que a Ryanair adapte a legislação local em todos os países onde a empresa tem bases. A Ryanair é uma empresa irlandesa, que envia seus funcionários para trabalharem em diversos países do mundo, mas a companhia só aplica o direito irlandês e se recusa a discutira a legislação social local, contra o interesse dos assalariados”, afirma Lebbe.

“Por exemplo, na Bélgica, os custos com transporte são pagos em parte pelo empregador, quando deveria ser a integralidade. Outra exigência é que as pessoas tenham todas o mesmo tipo de contrato de trabalho. Entre os funcionários da Ryanair, alguns são contratados pela empresa, outros por outras empresas, com condições de trabalho diferentes. No fim todas essas pessoas se encontram na cabine do avião, fazendo o mesmo trabalho, mas com condições salariais diferentes”, aponta o advogado.

A empresa põe em prática sua ameaça após ter sido advertida na segunda-feira (23), em um cenário de declínio do lucro líquido, que as greves poderiam forçá-lo a rever sua previsão de voos de inverno com menos aeronaves e menos empregos.

Frota menor, menos emprego

A Ryanair terá cerca de 24 aviões em Dublin neste inverno, contra os 30 neste momento, o que poderia resultar em perdas de emprego para 100 pilotos e 200 funcionários, disse o grupo em um comunicado. Segundo a empresas, cartas foram enviadas a esses funcionários para avisá-los de que seus serviços podem não ser mais necessários a partir de 28 de outubro deste ano. A Ryanair culpa a greve de três dias no início desta semana dos pilotos irlandeses por melhores condições de trabalho, dizendo que o movimento teria causado uma "queda nas reservas".

O grupo, no entanto, "decidiu alocar mais aeronaves em mercados em que estamos experimentando um forte crescimento (como a Polônia)", afirma o diretor operacional da companhia, Peter Bellew.

A frequência de voos a partir de Dublin será reduzida e possíveis demissões serão determinadas com base na produtividade e pedidos de transferências para outras bases, disse a Ryanair, que planeja oferecer mais empregos na Polônia. O anúncio coincide com o início de mais uma greve, por parte das tripulações na Espanha, em Portugal, na Bélgica e na Itália.

Para além destes cancelamentos, "todos os voos são operados normalmente nesta quarta-feira", diz a Ryanair no Twitter. Na Espanha, o país mais afetado, a greve começou "sem incidentes", segundo um porta-voz do sindicato USO. Madri exigiu o estabelecimento de um serviço mínimo.