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Brexit: se arrependimento matasse...

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O Brexit é o destaque do jornal Aujourd'hui en France desta quinta-feira, 26 de julho de 2018. Reprodução RFI

Há menos de um ano para a saída oficial do Reino Unido da Europa, as negociações com Bruxelas não avançam, a crise política e econômica só aumenta e muitos britânicos se perguntam se tomaram a decisão correta na hora de votar pelo Brexit.


A capa do jornal Aujourd’hui en France destaca o arrependimento de muitos ingleses que não imaginavam uma saída tão complicada da União Europeia. Para o chefe da redação do diário, Jean-Baptiste Isaac, a decisão foi um tiro no próprio pé. “Há dois anos, o voto dos britânicos havia sido uma surpresa. Algumas pessoas elogiavam esse povo que estaria reconquistando as rédeas de seu destino frente a uma União Europeia controladora. Dois anos depois, a situação é completamente outra. A primeira-ministra Theresa May não consegue administrar seu partido e parece sem rumo. Os líderes do “leave” (sair, em português) pularam do barco há algum tempo, como Nigel Farage. Outros, como Boris Johnson, a tentam derrubar. Com isso, aumenta a preocupação dos britânicos, que pouco a pouco percebem que o voto do Brexit foi um pulo no vazio, sem paraquedas”, analisa Isaac.

O jornalista Quentin Laurent, enviado especial do Aujourd’hui en France a Londres resume os dois últimos anos depois do Brexit. “Após o voto de uma pequena maioria de britânicos (51,89%), a população viu um governo instável, indicadores econômicos voláteis e empresas estrangeiras saindo a francesa”, afirma Laurent. “Nas terras da rainha Elizabeth, quem reina é a incerteza, a menos de um ano da saída oficial prevista para 30 de março de 2019”, completou.

Novo referendo

Essa incerteza também invadiu o mundo político. Theresa May está dividida entre os que pregam uma saída drástica, encerrando totalmente as conversas com Bruxelas, e os que preferem uma solução mais suave, permitindo ao Reino Unido que mantenha ainda um contato com a UE. “Ela (Theresa May) está em uma corda bamba, pois nem os pró, nem os contra, estão satisfeitos”, analisa Christian Duquesne, professor da Sciences-Po de Paris.

Neste cenário incerto, a ideia de um novo referendo surgiu no país. O antigo primeiro-ministro Tony Blair é um dos que apoiam a medida. A notícia da Comissão Eleitoral Britânica que revelou que a equipe do “leave” havia dissimulado gastos de campanha, estourando assim o teto autorizado, fez com que a pressão para um novo voto crescesse. Mas o governo garantiu que isso não irá acontecer, “sob nenhuma circunstância”.

Os franceses de Londres

O jornal Aujourd’hui en France lembrou também que 300 mil franceses vivem no Reino Unido e muitos se preparam para poder conseguir ficar no país. No ano passado, mais de 3 mil haviam dado entrada para um pedido de nacionalidade. Antes do Brexit, o número de pedidos não passava de mil. É o caso de David Rouland, que vive em Londres desde 1991 e é casado a uma britânica.

Mas alguns donos de empresas francesas com sede em Londres já estão planejando a mudança. A Smart Lenders, uma start-up francesa especializada em empréstimos online, foi fundada em 2014 na capital britânica mas se tornou 100% parisiense desde janeiro. “O Brexit iria ser uma barreira para nós”, revela Erich Bonnet, fundador da empresa.