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Brexit: Theresa May pede ajuda a Macron para encontrar um acordo com Europa

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Theresa May e Emmanuel Macron em encontro no começo do ano, janeiro 2018 REUTERS/Stefan Rousseau

Envolvida em divergências internas sobre o Brexit no seu partido e confrontada com o pulso firme de Bruxelas, a primeira-ministra britânica, Theresa May vai encontrar o presidente da França, Emmanuel Macron, nesta sexta-feira (3), no Fort de Brégançon, local reservado para as férias de chefes de Estado franceses e encontros diplomáticos.


O jornal de direita Le Figaro destaca que a menos de um ano para saída definitiva do bloco, Theresa May busca o apoio das grandes capitais europeias para ajudar a encontrar um acordo sobre o Brexit. É neste cenário de ofensiva diplomática que ela irá encontrar o presidente francês em seu local de férias. Mas, segundo uma fonte do diário, próxima ao palácio do Eliseu, Macron não deve tomar iniciativas sem o aval de Michel Barnier, o negociador da União Europeia no processo do Brexit.

Em uma entrevista ao jornal,o novo ministro britânico da Assuntos Exteriores, Jeremy Hunt, alerta sobre os riscos de um Brexit “sem acordo”, que seria “um erro geoestratégico”. Ele prega por “uma estreita parceria com a Europa”, em prol de um Reino Unido que “se mantenha inserido da economia europeia”.

O problema é que, segundo o chefe da redação do Le Figaro, Arnaud de La Grange, até agora nada indica que essa solução sairá do papel. “A palavra de ordem era a ‘retomada do controle’. Mas, até agora, o Brexit dá mais a impressão de ser uma corrida maluca onde os dirigentes britânicos perderam o domínio do veículo. Theresa May, no volante, tem os ‘pró acordo’ puxando de um lado, e os ‘contra’, chamados de ‘hard brexiters’, puxando do outro. Com tanta trepidação, a primeira-ministra está o tempo todo à beira do precipício”, descreve, com imaginação, o jornalista.

Apelo

O título do jornal conservador Times, “O apelo de May a Macron sobre o Brexit”, mostra como a situação está pouco a pouco se tornando desesperadora para a britânica. A intenção de seduzir as grandes capitais da Europa mostra a estratégia da primeira-ministra: fazer com que Bruxelas seja influenciada pelos principais líderes europeus.

Para o chefe da diplomacia britânica, Jeremy Hunt, não é só o Reino Unido que sairia perdendo com a falta de um acordo. Arnaud de La Grange concorda e lembra que os mais felizes com uma saída turbulenta seriam Trump e Putin, dois eurocéticos assumidos.

O diário lembra, no entanto, que a bola está agora no campo dos ingleses. Antes de um passo europeu, é preciso que os britânicos resolvam suas contradições. “Eles precisarão provar que, além de serem ótimos demolidores, possuem talentos na reconstrução. O que não é evidente”, concluiu La Grange.