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Incêndio Onda de calor

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Primeiro-ministro de Portugal expõe dificuldade em conter incêndio

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Incêndio já dura cinco dias na região do Algarve, em Portugal, e primeiro-ministro anuncia dificuldade em conter o fogo. REUTERS/Rafael Marchante

O corpo de bombeiros de Portugal continua tentando conter um incêndio florestal que ameaça a região turística do Algarve, no sul do país. As chamas atingem a área desde a última sexta-feira (3). O primeiro-ministro, António Costa, advertiu que o fogo deve continuar por dias, apesar dos enormes esforços mobilizados. Mais de 1.400 bombeiros e soldados lutam contra as chamas na cadeia montanhosa de Monchique. Eles contam com o apoio de 13 hidroaviões e vários helicópteros, segundo a Defesa Civil, que já contabiliza 32 feridos, um deles em estado grave.


"Não devemos ter a ilusão de que este incêndio será apagado nas próximas horas", advertiu o premiê português em coletiva de imprensa na sede da Defesa Civil em Lisboa. "A próxima janela de oportunidade que teremos (para controlá-lo) será à noite, na madrugada e de manhã cedo", destacou. Temperaturas extremas e fortes ventos atiçaram as chamas. A onda de calor na Europa elevou os termômetros a 45 graus centígrados em algumas regiões de Portugal no fim de semana passado.

Na tarde desta quarta-feira (8), sentiam-se fortes rajadas de vento e as temperaturas estavam em elevação. As chamas forçaram centenas de pessoas a deixar suas casas à medida que o incêndio se aproximava de áreas urbanas. Turistas britânicos e alemães foram evacuados de um hotel de luxo na cidade de Monchique durante o fim de semana.
   
Fogo continua avançando
   
Uma das frentes do incêndio se desloca em direção ao povoado de Silves, a dez quilômetros da costa, e teme-se que o fogo se estenda para a cidade costeira de Portimão, um destino popular entre britânicos e alemães."O céu foi coberto por uma espécie de névoa negra, que é cinza e fuligem", contou Tony Sanders, um britânico de 73 anos, dono de um pequeno hotel no povoado de Carvoeiro, 30 km ao sul de Monchique.

A dificuldade em apagar o incêndio florestal criou dúvidas sobre a efetividade das medidas tomadas pelas autoridades portuguesas, que buscam evitar uma repetição da catástrofe do ano passado, quando incêndios deixaram ao menos 114 mortos. Os bombeiros criticaram a falta de coordenação, enquanto o primeiro-ministro tem sido criticado nas redes sociais por ter continuado de férias enquanto o fogo se espalhava.

Na terça, Costa publicou no Twitter uma foto falando ao telefone e na frente de um computador, destacando que estava acompanhado de perto os acontecimentos, mas algumas pessoas transformaram as fotos em memes, nos quais o primeiro-ministro aparece divertindo-se com videogames. O ministro do Interior, Eduardo Cabrito, anunciou na terça-feira que a operação seria coordenada "em nível nacional", permitindo "uma maior mobilização de recursos".

O incêndio florestal já devastou 21.000 hectares de florestas e destruiu várias casas. Duzentas e cinquenta pessoas foram evacuadas de povoados nos arredores de Monchique, 160 km ao sul de Lisboa, mas 70 já puderam retornar às suas casas.
   
A vizinha Espanha também sofre com incêndios
   
Enquanto isso, na Espanha, um incêndio na região de Valencia, no leste do país, obrigou 3.000 pessoas a deixarem suas casas e queimou 2.900 hectares. Setecentos bombeiros e 27 aeronaves lutam contra o fogo, perto do povoado turístico de Gandía, informaram autoridades locais. As autoridades sanitárias da Catalunha, no nordeste da Espanha, confirmaram nesta quarta-feira a morte de mais uma pessoa, um homem de 41 anos, devido ao calor, elevando a dez o total de mortos devido às temperaturas elevadas em uma semana na Espanha.