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Discurso xenófobo volta às ruas sem censura em vários países da Europa

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A crise na Europa com o retorno do populismo é destaque do jornal Libération desta terça-feira, 28 Reprodução RFI

A imprensa francesa demonstra preocupação nesta terça-feira (28) com o aumento da xenofobia na Europa. O retorno do populismo, alimentado pela crise migratória, tem incentivado manifestações racistas em vários países do bloco, algo que não se via há mais de 70 anos.


Em seu editorial, o jornal progressista Libération diz que a Europa enfrenta um verdadeiro incêndio. Os valores que fizeram a força do continente no pós-guerra – o respeito à democracia, aos direitos humanos, a abertura ao outro, a defesa da igualdade – estão derretendo, em meio à fúria incendiária dos populistas.

O encontro previsto nesta terça-feira entre o ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, e o o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, em Milão, duas "estrelas" da extrema-direita nacionalista, deixam os defensores da democracia de cabelo em pé. Segundo o Libération, um verdadeiro arco de populismo está sendo formado da Itália à Suécia, passando pela Áustria, Hungria, Alemanha e outros países do leste.

A multiplicação de manifestações racistas mostra que um sentimento xenófobo muito profundo se liberou em vários estados membros do bloco, adverte o jornal em seu editorial. "Nos últimos três dias, vimos desfile de neonazistas pelas ruas de Estocolmo (Suécia) e manifestações violentas de militantes de extrema-direita em Chemnitz, no leste da Alemanha", destaca. Militantes extremistas voltaram a gritar slogans como "Nós somos o verdadeiro povo" e "Fora estrangeiros", frases que os europeus acreditavam banidas do vocabulário coletivo depois da Segunda Guerra Mundial.

Merkel reage sob pressão das ruas

Na noite desta segunda-feira (27), 6 mil ativistas de extrema-direita, incluindo hooligans vindos de outras regiões alemãs, fizeram um protesto em Chemnitz para denunciar a morte de um homem, esfaqueado durante uma briga com estrangeiros ocorrida no sábado. Os protestos foram organizados pelo movimento xenófobo Pegida, além do partido da extrema-direita, Alternativa para a Alemanha (AfD).

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que esse discurso racista de ódio não tem lugar nas ruas na Alemanha e prometeu reforçar o policiamento para conter a violência de manifestantes.

A polícia indicou que as circunstâncias da morte do alemão de origem cubana de 35 anos são obscuras. O incidente teria envolvido pessoas de diversas nacionalidades. Dois jovens foram detidos para interrogatório, segundo as autoridades, que não divulgaram a nacionalidade deles.

Libération considera muito sinistro esse cenário na véspera das eleições legislativas e regionais na Suécia e em algumas regiões da Alemanha. Suecos e alemães podem seguir o caminho da Itália e da Hungria, elegendo um maior número de representantes populistas e anti-imigração, uma perspectiva tenebrosa para a União Europeia.