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Aufstehen, movimento de esquerda e anti-imigração, é lançado na Alemanha

Um novo movimento de esquerda está sendo apresentado nesta terça-feira (4) em Berlim. O Aufstehen ("levantar", em alemão), é uma iniciativa controversa criada como resposta à ascensão do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que se tornou rapidamente a maior força de oposição no Parlamento, atraindo cada vez mais eleitores, com seu discurso anti-imigrantes.

Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

O Aufstehen se diz suprapartidário e não tem, por isso, um programa de partido. É fundado por duas das mais importantes figuras do partido de oposição A Esquerda: Sahra Wagenknecht, líder da bancada parlamentar do A Esquerda, e Oscar Lafontaine, que deixou o Partido Social-Democrata (SPD) em 2005, por discordar das reformas neoliberais do então chanceler Gerhard Schröder. Lafontaine também é um dos fundadores do A Esquerda e marido de Sahra Wagenknecht.

O movimento Aufstehen se inspira em outros movimentos estrangeiros, como o Podemos, da Espanha, e o francês A França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. Mas, curiosamente, difere desses partidos por ter um discurso anti-imigração. Afinal, sua a meta principal é conquistar os eleitores que nos últimos tempos votaram na extrema-direita, por discordarem da política de portas abertas para refugiados da chanceler Angela Merkel.

A iniciativa é uma reação à sangria que A Esquerda tem sofrido para o partido de extrema-direita AfD. Esse partido anti-imigrantes e ultranacionalista não tem atraído somente o eleitor conservador, de direita, mas também os cidadãos das classes mais baixas e do leste alemão, que votavam no A Esquerda como uma forma de protestar contra o governo e não são movidos por ideologia de esquerda ou direita.

Pelo menos 400 mil eleitores do A Esquerda migraram para o AfD nas últimas eleições parlamentares alemãs, fazendo com que os ultranacionalistas superassem A Esquerda em quase todos os tradicionais bastiões do partido no leste da Alemanha.

Aufstehen já tem oposição

Embora se defina como um movimento de esquerda, o Aufstehen tem sido criticado por alguns dos principais nomes da esquerda e centro-esquerda alemãs. As lideranças do Partido Verde e do SPD não veem a iniciativa com bons olhos e criticam a medida. Alguns acreditam que o novo movimento poderá provocar um racha na esquerda alemã, em vez de uni-la. 

O secretário-geral do SPD chegou a afirmar que o movimento nada mais é do que “uma luta de poder dentro do A Esquerda”. A própria liderança do A Esquerda não vê com muitos bons olhos o movimento, criado por duas de duas principais figuras. Alguns dizem que a iniciativa é uma tentativa de abrir uma dissidência dentro da legenda.

Quatro semanas depois de o movimento abrir sua página na internet, o número de apoiadores do Aufstehen teria chegado a 100 mil, segundo o próprio movimento. Entre os integrantes, estariam membros de outros partidos mais de esquerda e centro-esquerda da paisagem política alemã, como o SPD e o Partido Verde, além de membros do próprio A Esquerda.

Controle da imigração

A fundadora do Aufstehen, Sahra Wagenknecht, é uma das políticas mais proeminentes do A Esquerda. É líder do partido no parlamento e convidada frequente dos principais talk shows alemães. Entretanto, Wagenknecht tem uma história de rusgas com o partido. Isso ficou claro no último congresso do A Esquerda, em junho, em que ela bateu de frente com as lideranças partidárias por defender uma política mais dura contra imigrantes. Sua posição contra fronteiras abertas e concessão de aceso ilimitado de imigrantes ao mercado de trabalho alemão difere da linha da legenda.

Sahra Wagenknecht afirma que a Alemanha deve dar refúgio a pessoas perseguidas em seus países ou a refugiados de guerra, mas precisa controlar a entrada dos chamados imigrantes econômicos, ou seja, os que chegam a Europa buscando emprego, fugindo das condições econômicas de seus países.

O Aufstehen une um discurso populista, contra imigrantes, a tradicionais bandeiras da esquerda mais radical, a favor da ampliação do Estado social e do pacifismo, se opondo à atuação da Alemanha em missões militares no exterior. 

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