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Mídia se tornou a maior aliada dos políticos populistas na Itália

Por Adriana Moysés

A revista francesa L'Obs mostra esta semana como a imprensa italiana, as rádios e os canais de TV se deixaram seduzir pela retórica populista por interesses comerciais e se tornaram os maiores aliados da extrema direita na Itália. A reportagem é edificante e pode ser esclarecedora para quem sente uma certa perda de credibilidade na mídia brasileira.

Segundo o jornalista, escritor e deputado progressista italiano Vittorio Emiliani, a maior parte da mídia de seu país apostou na vitória de Matteo Salvini nas últimas eleições, realizadas em março. O estilo popular do político de extrema direita, um comunicador habilidoso, treinado na arte da controvérsia, caiu como uma luva para a imprensa italiana, ávida de audiência depois de perder nos últimos 20 anos 40% de seus leitores e, por consequência, suas receitas publicitárias.

No mar de 69 talk shows exibidos pela TV italiana, Salvini e políticos antissistema do Movimento 5 Estrelas ganharam enorme espaço e visibilidade com essa capacidade de criar polêmicas e manter a atenção dos telespectadores, pouco importando se o discurso anti-imigração que propagavam correspondia aos fatos.

Diariamente, os populistas martelaram na televisão que os imigrantes eram criminosos em potencial. Vittorio Emiliani observa que da mesma forma que o número de estrangeiros residentes na Itália passou nos últimos 20 anos de 800 mil para 5 milhões, o número de homicídios por ano caiu no mesmo período de 2.391 para 348 por ano. Idem para a explosão dos pedidos de asilo, insistentemente citada durante a campanha. Com 83 mil pedidos registrados em 2015, a Itália ocupa a 11ª posição em requisições de asilo entre os países europeus. Mas esses dados não são contrapostos pelos apresentadores de TV.

Na opinião do sociólogo Domenico de Masi, a comunicação política e a mídia italiana tiveram grande responsabilidade no sucesso recente dos populistas.

Talk shows estimulam ignorância

Os talk shows italianos, escreve a L'Obs, obedecem a um mesmo padrão: "exibem homens com frequência vulgares e agressivos e mulheres atraentes, cada um executando um espetáculo altamente profissional, alternando declarações exageradas e momentos de sedução". A expansão desses canais privados que viram florescer a TV espetáculo, em detrimento da informação isenta, remonta aos anos 1990, durante os governos de Silvio Berlusconi.

O diretor do jornal Il Foglio, Claudio Cerasa, confirma que a mídia italiana passou, desde então, a tratar a atualidade num tom emocional que beira à catástrofe. "Cínica, a mídia compreendeu que as pessoas são mais atraídas pela polêmica do que pela informação, pelo negativo mais que o positivo", destaca o jornalista.

Para o antropólogo Franco La Cecla, depois de assassinar a esquerda na Itália, a mídia criou fórmulas que suavizaram as consequências do fascismo nas novas gerações, além de incitar um sentimento anti-intelectual que produziu a maior onda de ignorância já registrada na história do país.

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