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Tentando reaproximação com Merkel, Erdogan é recebido com protestos em Berlim

Por RFI

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan desembarcou nesta quinta-feira (27) em Berlim para uma visita de três dias na Alemanha. Amanhã, ele se encontrará com a primeira-ministra alemã, Angela Merkel. Os dois líderes devem tentar uma reaproximação depois de um longo período de turbulências. Erdogan será recebido pelo governo alemão com honras militares e um jantar de gala. Mas a recepção nas ruas promete ser bem menos calorosa.

Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim

O presidente turco vai enfrentar uma série de protestos em Berlim ao longo desta sexta-feira (28). Um deles foi convocado por ONGs de direitos humanos, como a Anistia Internacional, e de jornalistas, como a Repórteres Sem Fronteiras. Os ativistas querem pressionar a primeira-ministra alemã, Angela Merkel, para que ela exija de Erdogan a libertação dos mais de 100 jornalistas que continuam presos na Turquia.

Desde a tentativa de golpe no país, em julho de 2016, cerca de 150 veículos de mídia já foram fechados na Turquia, segundo a Repórteres Sem Fronteiras. Num ranking com 180 países, o país ocupa a posição 157 em termos de liberdade de imprensa.

Uma segunda manifestação está sendo convocada por mais de 100 organizações, muitas ligadas a grupos curdos, para a tarde desta sexta-feira. Para os organizadores, a decisão do governo alemão de receber Erdogan – que eles consideram um déspota - com honras de Estado legitima as políticas do líder turco. No sábado, Erdogan será recebido com mais protestos em Colônia, onde vai inaugurar uma das maiores mesquitas da Europa.

Economia fragilizada

A visita de Erdogan acontece num momento em que a economia da Turquia está fragilizada e às voltas com uma crise cambial. Qualquer ajuda da Alemanha será mais do que bem-vinda. Merkel também tem todo interesse em manter uma boa relação com a Turquia. Afinal, foi um acordo com Erdogan, em troca de ajuda financeira, que ajudou a Europa - e a Alemanha, em especial - a conter o fluxo de refugiados e imigrantes ao continente, em 2016.

Além disso, a Turquia faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e está envolvida diretamente no conflito da Síria. O país já recebeu milhões de refugiados do país vizinho.

Segundo especialistas, a Síria deve certamente entrar na pauta de discussão entre os dois líderes. Mas especula-se que outros temas sensíveis poderão ser incluídos, como a libertação de cidadãos alemães que seguem presos na Turquia – e a situação dos turcos exilados na Alemanha, acusados por Erdogan de participar na tentativa de golpe. Oficialmente, a agenda de Merkel cita apenas temas bilaterais e regionais, e questões de segurança.

Boicote ao jantar de gala

Num artigo publicado pelo jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, Erdogan fez um apelo para que a Alemanha e a Turquia virem a página e deixem as diferenças para trás. Segundo ele, os dois países têm a responsabilidade de manter a relação com base em "interesses comuns", ”deixando de lado os medos irracionais”.

O presidente turco quer ainda que o governo alemão defina como organização terrorista o movimento do clérigo muçulmano Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos e acusado pelo governo da Turquia de estar por trás da tentativa de golpe no país.

Para um grupo de parlamentares da oposição, porém, Erdogan sequer deveria ter sido convidado. Eles criticam a Turquia pela prisão de milhares de pessoas, desrepeito aos direitos humanos e perseguição aos opositores do governo. E prometem boicotar o jantar de gala que será oferecido ao líder turco pelo presidente alemão, Frank Walter-Steinmeier.

O deputado do Partido Verde, Cem Özdemir, porém, vai marcar posição e vai participar da cerimônia. De ascendência turca, Özdemir quer confrontar Erdogan mostrando que a Alemanha, ao contrário da Turquia, respeita a sua própria oposição.

Troca de acusações

O que não falta é motivo de tensão entre os dois países. Desde a tentativa fracassada de golpe, Erdogan vem sendo sistematicamente criticado pelas milhares de detenções na Turquia, que incluem juízes, professores, jornalistas e escritores.

O presidente turco, por sua vez, ficou irritado com uma resolução do parlamento alemão, adotada em 2016, que definiu como genocídio o massacre de armênios pelo Império Otomano. Ele já fez várias críticas ao governo alemão. No ano passado, Erdogan chegou a sugerir que alemães de origem turca não deveriam votar em partidos como o CDU, de Angela Merkel, numa tentativa de interferir nas eleições gerais alemães.

Boa parte da comunidade de origem turca na Alemanha, que conta com cerca de 3 milhões de pessoas, simpatiza com Erdogan. Muitos, porém, consideram o líder turco um autocrata e prometem sair às ruas para protestar.

Para essa visita, a polícia montou um imenso esquema de segurança, e isolou uma grande área no centro da cidade, próxima ao Parlamento. Mas apesar de todo esse aparato, conflitos entre grupos contra e a favor de Erdogam não estão descartados.

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