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Apesar das diferenças, Merkel e Erdogan tentam tímida reaproximação

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Merkel e Erdogan querem tentar se reaproximar Tobias SCHWARZ / AFP

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, demonstraram uma ligeira reaproximação após o encontro dos dois dirigentes em Berlim, nesta sexta-feira (28). As duas nações têm diversas divergências, sobretudo em relação aos direitos humanos e à liberdade de imprensa na Turquia.


O único anúncio concreto após a reunião dos dois líderes foi quanto à cúpula sobre a Síria, prevista para outubro, que debaterá o destino de Idlib, cidade localizada no centro do conflito sírio. O evento contará com a presença da Rússia, da Turquia, da Alemanha e da França.

“Ainda há muitas diferenças”, afirmou Angela Merkel, mencionando a liberdade de imprensa e o respeito aos direitos humanos na Turquia. Mas, independentemente das divergências, a chanceler alemã se concentrou nas vantagens de uma parceria turca, como as 7.500 empresas alemãs com sede no país, que se encontra no meio de uma crise econômica. Além disso, a Alemanha tem 3 milhões de habitantes de nacionalidade ou de origem turca.

Erdogan, por sua vez, se mostrou contente com a visita, que pode significar um recomeço de alianças europeias para a Turquia após a tentativa de golpe de 2016. O presidente turco tentou se esquivar das questões dos jornalistas sobre suas declarações de 2017 a respeito das “práticas nazistas” do governo alemão ou do fracasso da Turquia, que mais uma vez não conseguir ser a organizadora da Eurocopa.

Merkel sublinhou que as duas nações, que fazem parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), têm interesses em comum na luta contra o terrorismo e no trabalho para evitar um novo grande fluxo de migrantes sírios. Os dois países receberam vários milhões de refugiados nos últimos anos.

Protestos e prestação de contas

Erdogan ganhou novos poderes e aumentou sua autoridade na Turquia desde o início de seu novo mandato, em julho de 2018. Em seu encontro com o presidente alemão, Frank-Walter Steinleier, em sua residência, o Castelo de Belavista, o chefe de Estado turco teve de prestar contas quanto aos prisioneiros “políticos” na Turquia, incluindo cinco alemães.

Diversas manifestações também fizeram com que a visita de Erdogan a Berlim fosse mais movimentada do que ele desejaria. Protestos ocorreram nesta sexta-feira e devem continuar no sábado (29), na cidade de Colônia, onde Erdogan inaugurará uma mesquita.

Durante a coletiva de imprensa, um homem vestia uma camiseta com os dizeres: “Liberdade para os jornalistas”. Ele foi retirado do local. Erdogan, por sua vez, confirmou seu desejo de extraditar o jornalista e crítico de seu governo Can Dündar, exilado na Alemanha, alegando que o repórter era um “agente” que divulgava “informações estatais”. Na Turquia, Dündar foi condenado a cinco anos de prisão.

A Turquia também quer tomar medidas para se adequar às exigências da União Europeia com o objetivo de facilitar a obtenção de vistos para os turcos, de acordo com Erdogan. “Queremos respeitar o mais rápido possível os seis critérios [europeus] que nos permitirão uma liberação dos vistos”, declarou o presidente durante a coletiva de imprensa.

Uma pesquisa de opinião feita pela TV estatal ZDF mostra que a maioria dos alemães (89%) julgam que a democracia na Turquia está "severamente ameaçada”, enquanto 66% pensam que a Alemanha não deveria ajudá-la economicamente.