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Alemanha: em meio a protestos, Erdogan inaugura uma das maiores mesquitas da Europa

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Recep Tayyip Erdogan durante a inauguração da mesquita em Colônia REUTERS/Thilo Schmuelgen

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, inaugurou neste sábado (29) uma das maiores mesquitas da Europa, na cidade alemã de Colônia. Manifestações de oposição marcaram o evento, que foi cercado por um forte esquema policial.


Centenas de pessoas se reuniram em Colônia, oeste da Alemanha, já nas primeiras horas de sábado com cartazes com a frase “Erdogan não é bem-vindo", o lema dos protestos. "Posso entender que vá a Berlim, mas que venha a Colonia é uma provocação", afirmou um dos manifestantes, identificado como Thomas, um alemão de 22 anos que disse defender a liberdade de imprensa.

“Quero ser a voz das pessoas que não podem sair às ruas na Turquia", disse outro manifestante, Cansu, que viajou da Suíça para o protesto. "Erdogan pensa que tudo o que é diferente de sua opinião é terrorismo".

A obra da mesquita começou em 2009 e, apesar de várias manifestações de protesto e controvérsias locais, os primeiros fiéis rezaram no templo em 2017, antes da inauguração oficial por Erdogan neste sábado. O projeto foi financiado pela União Turco-Islâmica para Assuntos Religiosos (Ditib), estreitamente vinculada ao governo turco.

Com minaretes de 55 metros de altura e uma grande cúpula de 36 metros, o edifício de cimento e vidro, que simboliza a abertura, de acordo com o arquiteto, é uma das maiores mesquitas da Europa, com uma superfície de 4.500 metros quadrados. Situada no bairro de Ehrenfeld, perto da torre de televisão de Colônia, a mesquita pode receber milhares de fiéis.

Com uma superfície de 4.500 metros quadrado a nova mesquita de Colônia pode acolher milhares de pessoas REUTERS/Wolfgang Rattay

Políticos locais boicotaram inauguração

Muitos líderes políticos da região não compareceram à inauguração, incluindo a prefeita de Colônia, Henriette Recker, e o chefe de Governo regional. Ele critica a Ditib sobre a administração do edifício, de sua construção até a inauguração e funcionamento.

Vários políticos locais consideram o Ditib um braço do regime de Erdogan, já que administra 900 locais de culto na Alemanha com imãs procedentes da Turquia. E os detratores da organização acusam a organização de espionar opositores do presidente turco.

Muitos críticos da mesquita, especialmente a extrema-direita, também apresentaram recursos contra a construção do edifício, temendo o aumento do fluxo de muçulmanos na cidade.

Esta é a última etapa da visita de Estado do presidente turco, que tenta deixar para trás dois anos de tensão com a Alemanha. Na sexta-feira, Erdogan se reuniu com a chanceler Angela Merkel, antes de ser o convidado de um banquete que não contou com a presença de grande parte da classe política alemã, incluindo a chefe de Governo. Os dois governantes voltaram a se encontrar neste sábado para um café da manhã, antes da viagem de Erdogan para Colonia.