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Italiano que promoveu tiroteio racista contra africanos é condenado a 12 anos de prisão

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Luca Traini, 29 anos, em foto de arquivo de quando foi detido pela polícia, em 3 de fevereiro de 2018. 路透社。

O italiano que atirou em africanos em fevereiro de 2018 em Macerata, depois de um assassinato sórdido atribuído a um traficante nigeriano, foi condenado nesta quarta-feira (3) a 12 anos de prisão pelo tribunal desta cidade do centro da Itália, informou a mídia local.


Na manhã de sábado, 3 de fevereiro, Luca Traini, um segurança de 29 anos, militante da extrema-direita italiana, atirou durante duas horas seguidas contra africanos no centro de Macerata. Ele queria vingar o assassinato de Pamela Mastropietro, 18, cujo corpo havia sido descoberto alguns dias antes, cortado em pedaços e pelo qual um traficante nigeriano havia sido preso no dia anterior.

O assassinato de Pamela e o tiroteio de Luca Traini abalou o país no meio da campanha eleitoral e revelou profundas tensões em torno dos migrantes na Itália. O atirador recebeu muitas mensagens de solidariedade e nenhum político visitou as vítimas hospitalizadas.

Ódio racial

A promotoria havia solicitado a sentença máxima de 22 anos de prisão por tiroteios agravados pelo ódio racial, mas disse que a escolha de um procedimento judicial acelerado por Traini reduziu automaticamente essa sentença para 12 anos de prisão. Seu advogado anunciou que iria recorrer, descartando os fatos. Ele assegurou que os ferimentos de quatro dos afetados mostram que o italiano não atirou para matar.

Antes do início do julgamento fechado, o acusado pediu para ler uma declaração de cinco folhas. "Peço desculpas pelo que fiz, na prisão percebi que estava errado e que não há diferença entre negros e brancos", disse ele, também se dirigindo às vítimas, cinco das quais estavam na sala.

Luca Traini, que, após o tiroteio, esperou os policiais coberto por uma bandeira italiana em frente a um memorial de guerra, sempre reconheceu o ataque, mas refutou seu caráter racista. "Eu queria bater nos traficantes, como aqueles que venderam a droga para Pamela, não é minha culpa que em Macerata todos os traficantes são negros", disse ele, durante um interrogatório.

A defesa também se referiu à infância difícil do acusado, uma ex-namorada viciada em drogas, assim como a vítima Pamela, e um "bombardeio da mídia" sobre “o tráfico de drogas realizado por africanos”.