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Jornal francês compara congresso de Partido Conservador britânico a concurso de beleza

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O jornal Le Figaro desta quarta-feira fala do congresso do Partido Conservador britânico, 3 de outubro 2018 Fotomontagem RFI

Quase 1500 militantes conservadores fizeram duas horas de fila para ouvir o discurso do ex-ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, no congresso anual do Partido Conservador britânico. O jornal Le Figaro desta quarta-feira (3) descreveu como os possíveis candidatos à sucessão de Theresa May, “desfilaram” pelos corredores e reuniões do evento para mostrar presença.


O mais esperado nesta terça-feira (2) era o discurso do polêmico Boris Johnson, mestre na arte da oratória. No entanto, sua fala surpreendeu por ele ter pedido apoio à primeira-ministra Theresa May, “da melhor forma possível”, sem antes criticar a tentativa de acordo com a União Europeia, chamado de “Chequers”. Johnson avalia que um acordo para manter o Reino Unido no mercado único é um grande erro.

O Le Figaro descreve, no entanto, como Theresa May e seus conselheiros devem estar aliviados, “tamanha era a pressão antes do tão aguardado discurso de Johnson”. Após um ano difícil, Theresa May sobreviveu a todos os golpes baixos e tentativas de derrubá-la. Agora, todos sabem que ela deve continuar no cargo de primeira-ministra, pelo menos até o começo do Brexit.

Seus competidores aproveitaram esse congresso anual para mostrar porque seriam também excelentes chefes de governo. O jornalista Florentin Collomp acompanhou o discurso de Boris Johnson, que chamou de “uma verdadeira alocução de primeiro-ministro”. Johnson começou falando dos grandes assuntos do país, como acesso a casa própria, diminuição dos impostos e seu apoio a economia de mercado. Mais criticou duramente o plano “Chequers”, afirmando que é algo “perigoso” para o Brexit, “antidemocrático”, “falacioso”, “atroz” e “traiçoeiro”.

“Enquanto eles discutem, Theresa May trabalha por um acordo para o país”

O Le Figaro descreveu também, como na sala ao lado, o ministro do Interior, Sajid Javid, discursava para um público bem menor, vítima do sucesso de Johnson. Aos 48 anos, Javid é o primeiro filho de imigrantes paquistaneses a conseguir exercer um cargo de responsabilidade na política britânica e aparece hoje como um dos favoritos a ocupar, um dia, a liderança do Partido Conservador.

Entre os pretendentes a cargo, o jornal cita também Jacob Rees-Mogg, um dos grandes defensores do Brexit, que, como Johnson, afirmou que apoiará May caso ela desista das propostas do “Chequers”. Sem esquecer do novo ministro do Brexit, Dominic Raab, que faz parte desta geração que sonha com grande futuro na política, analisa o Le Figaro.

O jornalista Florentin Collomp finaliza citando uma fala anônima atribuída à um ministro britânico pela revista Times que diz que “a história lembrará que homens passaram seu tempo visando crescimento político pessoal enquanto uma mulher trabalhava para obter um acordo no interesse do país”. Uma análise que parece compartilhada pelos eleitores conservadores, segundo uma pesquisa que mostrou que Theresa May continua com uma boa cota de popularidade, mesmo se a distância entre ela e os rivais vem diminuindo nos últimos meses.