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Brasileiros que vivem em Portugal avaliam governo de esquerda, conhecido como “geringonça”

Em época de eleições no Brasil, a RFI conversou com os brasileiros que moram em Portugal para saber o que eles pensam da chamada “geringonça”. Esse conceito, que representa o governo atual no país, nasceu da união de duas vontades. A do primeiro-ministro português, Antonio Costa, que não aceitou uma derrota eleitoral, e a do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português (PCP), que queriam impossibilitar a direita de continuar no poder.

Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa

A coligação acabou sendo mais forte do que as diferenças que antes separavam estes partidos de esquerda. De acordo com Antonio Costa, o governo "conseguiu virar a página da austeridade com uma política alternativa, cujos resultados permitiram a manutenção de Portugal na zona do euro".

A empresária carioca Andrea Zamorano, que vive em Portugal há mais de 20 anos, acredita que o atual governo tem trazido muitas melhorias para o país, que atravessou anos de austeridade. “Essa ‘geringonça’ começou com uma saraivada de críticas. O próprio Antonio Costa, que é o líder da ‘geringonça’, foi muito criticado pelo governo anterior, mas graças a Deus que ele tomou esta decisão. Foram anos muito difíceis os do governo da coligação PSD e CDS, porque foram anos de profunda austeridade”, conta.

Para Andrea Zamorano, o governo anterior tomou a decisão de “sacrificar o povo e o poder aquisitivo”. “Foram anos de muita pobreza, de profundo sacrifício da nação e, com a retomada do poder de compra, dos direitos, dos salários, da economia, a geringonça pode colocar o país novamente nos trilhos”. 

Já Flávia Motta, que mora em Portugal há 4 anos, também acredita que esta aliança socialista trouxe muitos benefícios para o país. “Eu acho que o atual governo português é um bom governo, apesar de eu não ter vivido tempo suficiente em Portugal  para comparar com o governo anterior”, afirma. “Este é o governo da recuperação de Portugal, depois de anos de uma crise econômica muito séria, e eu acho que é um governo que tem sabido usar o cenário internacional para criar oportunidades para o país”.

Segundo a blogueira e guia turística, apesar do saldo positivo, o governo ainda tem assuntos importantes por solucionar. “Claro que ainda há questões difíceis de resolver, como a da habitação e principalmente os baixos salários, além do trabalho precário, que são uma realidade em Portugal. Sinto falta de um maior debate em pautas que são muito comuns às esquerdas no Brasil, como o direito das mulheres e dos homossexuais”. 

“Geringonça” não agrada a todos

O cozinheiro Ricardo Wit, há 2 anos em Portugal, não divide a mesma opinião. Para o paulista, de 24 anos, a “geringonça” não tem cumprido o seu papel. “Eu acho que esta coligação, na verdade, é uma falsa esquerda em termos de políticas sociais. Para ajudar quem realmente está precisando, para o trabalhador e o proletariado, não fizeram nada”, declara.

Ele afirma que os preços não param de subir, assim como os alugueis, enquanto o salário mínimo “continua ridiculamente baixo se for comparar com o resto da União Europeia. Continuamos sendo o país com mais turismo crescente, mas os salários não sobem… não é um governo que está pensando muito no povo, no momento”.

Natália Moura Alves, de 28 anos, que mora em Lisboa há um ano e meio, tem a mesma opinião de Ricardo e acredita que o atual governo deixa a desejar no que diz respeito aos direitos dos trabalhadores. “Em Portugal eu reparei que não se tem muito cuidado com as horas trabalhadas, assistência social ao trabalhador, e acho que isso poderia melhorar bastante. Ainda mais sendo um governo de esquerda e não parece que tem alguma coisa sendo feita com relação à isso”.

“Governo que olha para o povo”

Armando Amaral, artista, deixou o Rio de Janeiro há dois anos, vive em Lisboa deste então e está satisfeito com os resultados do governo de Antonio Costa. “Minha opinião do atual governo português é o que os fatos me mostram: é um governo que olha para o povo, que olha para o seu país. Que, apesar de não ser a passos largos, está saindo de uma crise. A cada ano a taxa de desemprego diminui, o salário mínimo aumenta e, apesar de lento, é gradual e vem acontecendo. E eu acredito que, daqui pra frente, Portugal vai ser um país melhor pra se viver”.

O empresário carioca, Levy Gasparian, há quase dois anos em Portugal, também está do lado dos que apoiam o governo da “geringonça”. “Eu tenho uma boa impressão do governo, apesar de estar aqui há pouco tempo. Percebi que é um governo de esquerda mas que, ao mesmo tempo, ajuda a iniciativa privada, tem espaço para quem quer crescer”, afirma.

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