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Merkel perde maioria na Baviera e extrema direta entra no parlamento regional

Aliados de Angela Merkel sofreram uma derrota dramática neste domingo (14) na eleição regional da Baviera, no sul da Alemanha. A CSU (União Social-Cristã), partido irmão da CDU (União Democrática-Cristã) da chanceler alemã, perdeu cerca de 10 pontos percentuais, obtendo o pior resultado desde 1950.

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

Os sociais-democratas do SPD, que formam o governo alemão em aliança com os conservadores de Merkel, também registraram uma queda de mais de 10%. A votação deve ter consequências em nível federal. Esse resultado é considerado um reflexo direto da política do governo federal alemão e da atual insatisfação de parte do eleitorado com a coalizão que sustenta o governo Merkel. A Baviera é o estado mais rico da Alemanha, com baixas taxas de desemprego, e tem cerca de 9 milhões e meio de eleitores.

Os conservadores da CSU continuam sendo o maior partido local, mas perderam a maioria absoluta que vinham mantendo no parlamento regional praticamente desde 1962, com uma interrupção, entre 2008 e 2013. Eles agora vão ter que buscar aliados para continuar governando o estado. A União Social-Cristã (CSU) só existe naquele estado, e é um partido irmão da União Democrata-Cristã (CDU), da Angela Merkel, e que, por sua vez, é atuante em todos os estados alemães, com exceção da Baviera.

As brigas internas da coalizão alemã de governo e a política de portas abertas de Merkel durante a crise migratória europeia em 2015 são algumas das causas do fracasso dos aliados da chanceler e da fragmentação dos votos na Baviera. Os grandes partidos saem como perdedores e as legendas menores conseguem resultados inéditos no estado.

Partido Verde registra crescimento

Uma surpresa dessa eleição na Baviera foi o sucesso do Partido Verde, que também é um reflexo do desempenho do governo Merkel. A legenda obteve quase 18% dos votos, crescendo quase 9 pontos percentuais e m relação aos resultados anteriores e se firmando como segunda maior força política regional.

Quem também comemora é o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), que teve mais de 10% de votação e entra pela primeira vez no parlamento regional. A legenda vem surfando na onda anti-imigração, com discurso contra refugiados. A discussão sobre a situação dos refugiados na Alemanha influenciou claramente as eleições na Baviera, segundo os analistas.

Temendo uma fuga de seus eleitores para a extrema direita, o presidente da CSU e atual ministro do Interior, Horst Seehofer, adotou um discurso mais duro contra imigrantes entrando em conflito com a chanceler Angela Merkel e causando seguidas crises na coalizão de governo alemão, que foi formada a duras penas, após cinco meses de negociações.

O resultado é que parte do eleitorado mais conservador da CSU migrou para a extrema direita, enquanto parte dos eleitores dos sociais-democratas, que apoiam Merkel a nível federal, deram seus votos ao Partido Verde.

 

 

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