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Eleição na Baviera foi ambígua para Alemanha e boa para a Europa

Por Alfredo Valladão

A Europa inteira estava esperando, angustiada, o resultado das eleições regionais na Baviera. Será que a extrema direita xenófoba e ultranacionalista que quer destruir a União Europeia iria cantar de galo a poucos meses das eleições de 2019 para o Parlamento Europeu? No final o resultado foi negativo e positivo ao mesmo tempo.

A Baviera é o Land mais rico, com as indústrias mais modernas e uma das melhores administrações da Alemanha. O desemprego é minúsculo, e a política local sempre foi dominada pela CSU – a União Social-Cristã, fortemente conservadora e principal aliada da direita no poder em Berlim, os cristãos-democratas da CDU.

Nada ameaçava a maioria absoluta da CSU até que começaram a chegar milhares de refugiados do Oriente Médio ou da África buscando uma vida melhor na Alemanha. E que a chanceler Angela Merkel abrisse as portas para um milhão desses imigrantes.

O impacto da onda migratória e a atitude dura dos países vizinhos, como a Áustria, a Hungria e até a Itália, abriram uma brecha para o novo partido de extrema direita alemão, o AfD (Alternativa para a Alemanha), abertamente xenófobo.

O pleito de ontem era uma ótima ocasião para os nacionalistas chauvinistas tentarem conquistar a Baviera e acabar com a hegemonia dos sociais-cristãos. E não deu outra: a CSU só conseguiu um pouco mais de um terço dos votos – o seu pior resultado eleitoral – e não vai mais poder governar sem uma coalizão. Sem falar no fato que o seu parceiro social-democrata perdeu metade dos votos e acabou nas profundezas das urnas.

Extrema direita entra no parlamento regional

A má notícia é que a AfD passou do zero a 11% dos votos. Nada mal para um partido estreante. Mas a boa notícia é que só alcançou os níveis relativamente baixos da sua representação nacional: não foi uma vitória estrondosa. Quem realmente emplacou um ótimo resultado – uns 19% dos sufrágios – foi o Partido Verde, que na Baviera é uma legenda ecologista, moderada e centrista, pró-europeia e abertamente favorável aos imigrantes.

Os ecologistas tiraram uma batelada de votos da CSU – boa parte dos eleitores social-cristãos moderados que achavam que seu próprio partido tinha ido longe demais na xenofobia para tentar competir com a extrema direita.

Poucos dias antes do pleito, os dirigentes da CSU começaram a entender que estavam numa sinuca: a campanha ultranacionalista e anti-imigrantes para tentar estancar a sangria de seus eleitores mais extremistas para a AfD estava provocando uma sangria dos seus eleitores moderados para o Partido Verde.

Desesperados, os dirigentes mudaram de discurso do dia para a noite, chegando até a celebrar a humanidade e generosidade daqueles que acolhiam os imigrantes. Só que essa reviravolta não bastou e o eleitorado puniu a CSU que desde a última eleição nacional vinha se opondo abertamente ao governo de oiAngela Merkel, tentando chantagear a chanceler com posições nacionalistas e xenófobas caricaturais.

Merkel descontente?

Do ponto de vista da política nacional alemã, o resultado das eleições na Baviera também é ambíguo. É claro que a derrota da CSU vai enfraquecer o governo Merkel que precisa do partido bávaro para continuar no poder. E ninguém sabe como vão reagir os dirigentes abatidos e desorientados da CSU. Vão voltar a correr atrás da extrema direita desestabilizando o atual governo em Berlim? Ou vão tentar ser mais moderados e se agarrar em Merkel para continuar tendo uma influência nacional importante? Provavelmente, não vão querer balançar o coreto. Sobretudo que vai ser difícil evitar uma aliança com os Verdes para manter o poder na Baviera.

Angela Merkel não deve estar tão descontente com o que aconteceu. Do ponto de vista europeu, a eleição bávara pode ser uma boa notícia. Ela mostra que existe uma maioria clara de gente favorável à manutenção e ao aprofundamento de uma União Europeia aberta e generosa. E uma rejeição consistente às sereias da xenofobia e do nacionalismo fechado. Até numa região ultraconservadora como a Baviera.

 

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